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domingo, 14 de fevereiro de 2010

"NEM UM SIMPLES MIOSÓTIS...."



Belas....
Sol, um sol quente de um Verão que parece que fez marcha atrás e voltou...
Um dia esplendoroso com as cores de uma paleta não regateada, desde o azul intenso de um céu completamente limpo, com os verdes do Inverno, nos alecrins, nas alfazemas, nas tuias e nos cedros, antes do verde viçoso dos borbotos da Primavera que chegará...

O Tejo em fundo, o verde da relva do golfe, as flores a dormir ainda, numa sonolência de quem começará a espreguiçar-se  qualquer dia...porque, caramba, já estamos a meio de um Fevereiro generoso...

Amanhã, 14 de Fevereiro, mais um S. Valentim...mais uma data determinada pelo calendário e não pelo coração das pessoas.

Há namorados que o são, às vezes sem saberem, a vida inteira...
Pode vir um homem, depois outro, e mais tarde um outro...mas de todos, houve o eleito, que ficou a tomar conta do lugar e não arreda pé...vá-se lá saber porquê??!!
Haja cataclismos, haja tsunamis afectivos, haja tornados avassaladores....e mistério dos mistérios...o eterno namoradinho nem vacila.!Grudou por razões às vezes inexplicáveis...

E às vezes fica, já não sabe que o é (porque para ele já passaram cinquenta catorze de Fevereiros), e por isso, já comprou a rosa vermelha para a "actual", e ela, a que o elegeu o namoradinho de toda a vida, chora que se desunha, não tem a quem comprar nem um miosótis, quanto mais a rosa... mas escreve-lhe na mesma, meia dúzia de palavras num cartão  condicente, nem que seja para guardar religiosamente numa arca da vida...

Esta foi uma história diferente de S. Valentim....
Fui escrevendo, e foi correndo....fui escrevendo, o sol de que estamos sequiosos foi indo, e a sombra foi subindo...
Um catorze de Fevereiro diferente, um S. Valentim mascarado de sábado de Carnaval...

Anamar

domingo, 27 de dezembro de 2009

"UM GPS PARA O CORAÇÃO..."









Faz hoje dois anos eu estava longe daqui.
Estava a usufruir do remanso que é uma Beira Alta com dias azuis, friozinho de Inverno e sol aberto e luminoso como é o inigualável sol, quando brilha nesta estação...

Estava em Geia, turismo rural onde já sou reincidente, de tal forma amei aquele local, lugar de paz familiar, praseiroso, janela escancarada para a Estrela, Açor, com o Caramulo em fundo, já com neves nos picos.
Os campos verdes, das chuvadas que o Inverno não havia negado, os chocalhos e campainhas dos rebanhos nas pastagens, a lareira acesa, uma casa linda, recuperada por holandeses, que do nada fizeram tudo, e a partilha de olhos que olhavam na mesma direcção, vontades e gostos comuns, tudo foi uma espécie de sonhar acordado no mesmo sítio...tudo tão perfeito, que esta narração está para o real, como a profanação para o sagrado!...

Geia!
Não sei mais falar de Geia, e da tal forma este pequeno apontamento está a colidir com as fímbrias do meu coração amarfanhado ( que eu julgava já mais calejado ) , que tenho que perceber que enquanto as corujas do Gerês, as águias de Marvão, a ginginha de Óbidos, o frio gélido e quente da penedia de Monsanto, a planura vista do castelo de Monsaraz, os pôres de sol de sta. Lucia e Jamaica, o místico indecifrável, que nos aprisiona por inteiro da Tailândia, ou simplesmente o gelo das noites de Évora....não virarem a encruzilhada do caminho, eu vou continuar perdida, assim, sem conseguir pensar que a vereda segue em frente...e mesmo vereda, terá de ser calcorreada até que atinja estrada com Norte...quando nunca ninguém me ensinou os pontos cardeais, e só eles sabem estes sítios....

Anamar

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"RESPIRO..."



O despertador tocou...puxei o édredon, aninhei mais o gato nas minhas costas, e recusei-me a abrir os olhos...
Os números luminosos na penumbra do quarto, marcavam quatro e um quarto da tarde. Chovia...de certeza tinha que estar  a chover!
O reflexo que vinha da rua pelos interstícios da persiana, parecia mostrar um esgar de sol, e na verdade também não conseguia ouvir aquele barulhinho aconchegante da água, quando bate nos peitoris...
Mas que raio, eu tinha direito a inventar um cardápio do tempo...e de certeza estaria a chover!

Constatei que respirava...logo, vivia!...

Apetecia-me inventar uma história para o dia de hoje...assim uma história de fadinhas, varinhas mágicas, sininhos e luzinhas de piscar.
Apetecia-me montar uma vassoura e sair pelo meio dos flocos de nuvens, por aí... ao encontro de um sítio onde ainda houvesse malmequeres.
Será que ainda há malmequeres pequenininhos, minúsculos, como aquele que só os olhinhos do António seriam capazes de descobrir, no meio das ervas, para me oferecer??!!...
O Pedro...o Pedro um dia também me ofereceu um malmequer pequenininho...e eu derretida....porque me sentia menina e mimada!!!
E não estávamos no país dos sonhos nem nada!...

Lancei o meu bafo no vidro da janela...embaciei-o... e consegui desenhar um sol. Aí vi que realmente estava viva ainda... Gente morta não desenha sóis...

Sim, porque muito tempo andei enganada. Julguei que estava muito viva... sentia o sangue quente pulsar-me nas veias, subir-me à cabeça, ao sexo, ao coração.... mas não estava nada.....estava só a sonhar!...

Sonhei todo o tempo que me deixaram.
Andei por aí, a julgar que era gente....e não era....andava fantasiada de gente, isso sim...e era feliz!
Eu também, não presto para gente....sou assim mais....uma coisa inventada... Sei que estou viva porque realmente embacio a vidraça!

Os meus olhos, andam um bocado à minha revelia. Olham sempre lá p'ra longe, ou lá p'ro alto... Aí, é porque andam à procura da minha gaivota.
Só gente doida é que acha que tem gaivotas, não é?
A minha, de quando em vez, desafiava-me, pesquisando-me...de soslaio.
Essa sim...tinha a mania que era gente, e não acreditava, quando eu me fartava de lhe dizer que era muito melhor ser gaivota...

Dancei a minha vida de roda..."Um, dó, li, tá...cara de amendoá"...Soltava gargalhadas de menina, cada vez mais entontecida da dança de roda....e a vida estava sempre no mesmo sítio.
Agora, pronto... acabou. Deixaram-me sozinha naquele relvado, só com o sol que consegui desenhar, com os olhos teimosos, o coração mais ainda (porque não quer e não quer ficar ali sozinho), a chamar, a chamar, a gritar para me ouvirem...e nada...e nem sequer há malmequeres, mesmo pequenininhos...

"...um sorriso colorido....quem está livre, livre está!..."
Anamar

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

"EU TIVE UM SONHO" - CARTA ABERTA AO "MEU PRESIDENTE"














































As imagens que aqui deixei, constituem um powerpoint que circula, recebi, e mexeu comigo.
Resultou de uma montagem feita por Maria Fernandes, a quem agradeço o excelente trabalho realizado, e a quem peço antecipadas desculpas por o ter utilizado como "fundo" para este pequeno "desabafo".
Presumo que ela não se importará, porque a presumo colega de luta e de coragem, também...

Mexeu comigo e teve a capacidade de me levar às lágrimas, coisa que, por estes motivos já não me acontecia há para lá de tempo...
Seca, dura, talvez um pouco amorfa de cansada, talvez um pouco indiferente de revoltada, desde os meus tempos de jovem que o peso duma ignomínia sentida na pele e no coração, me não tocava tanto, quanto a que vivo actualmente.

Embrenhei-me na luta académica de 69...
Lembro no peito, horas em surdina, dentro de armários, na velhinha Faculdade de Ciências da Rua da Escola Politécnica, com a polícia a invadir e a devassar tudo e todos, a confrontar e a deter todos quantos acreditavam e lutavam por ideais...
Sinto ainda aquelas faixas de luto, dependuradas das grades dos portões de uma escola encerrada a cadeado...

Recordo os tempos imemoriais do fascismo, quando a GNR a cavalo, fazia recuar pelas escadas da estação do Rossio, em atropelo, os cidadãos deste país, homens e mulheres, depois de um dia de trabalho, cansados de prepotências, arbitrariedades, injustiças e violência...

Recordo tudo isto com muita nitidez, e juraria para mim mesma, que depois daqueles cravos terem descido às ruas e aos nossos corações, neste país que foi de Abril, não seria mais possível chorar-se outra vez por raiva, ódio, impotência...

Juraria...

A minha escola tem um presidente...
Quando ele chegou àquela casa, era um indistinto professor da sua área, defendendo os mesmos sonhos, lutando com as mesmas armas, dando tudo o que de melhor nele teria. Um, entre os seus pares...
Era quase um puto...se tivermos em conta, que eu há muito já fazia parte da "mobília"...

Acabou por dar continuidade, eleito que foi, ao trabalho árduo desenvolvido por uma mulher incontornável, na história daquela instituição.
Uma mulher que deu o sangue, o suor e só não deu as lágrimas, porque para ela, aquele trabalho nunca foi de lágrimas...
porque para ela, o sacrifício de vida pessoal e familiar, era simplesmente uma missão de causa única, que havia que cumprir...
Deixou, por tudo isso, marca, nome, trabalho feito...

O "meu presidente" também já deu seguramente dedicação, trabalho, anos de sacrifícios...vida!
Tenho por ele, o maior respeito nesse contexto. Certamente ser-lhe-ia mais cómodo, debandar em retirada, nos tempos actuais.
O "meu presidente" corre, corre muito, mas não debanda.
Encarna a figura do que "quando é...já foi"...ou seja, a sua disponibilidade raramente se compadece com uma paragem solicitada por alguém...raramente se compadece no esbanjamento de um sorriso cúmplice por colegas, ou mesmo na troca calma (por uma vez na vida), de opiniões, ideias, preocupações, com alguém que por acaso o cruzou no caminho...

Deixou de ser "aquele puto" de então, porque os anos e certamente tão intenso labor, lhe trouxeram ao rosto e ao cabelo os tais sinais inglórios da sua passagem.
Continua ainda assim, a ser o "homem da mota", e se não for herói por mais nenhuma causa, é-o pelo menos, no estoicismo com que diariamente enfrenta p'ra lá e p'ra cá aquela infernal IC19.
Admiro-o, repito...admiro-o como se admira um verdadeiro "kamicase"...só ainda não consegui descortinar qual o ideal que move o "meu presidente"...

Aliás, aqui há algum tempo atrás, realizou, "ele", uma Reunião Geral de Professores, na qual (entre outras tomadas de posição que me preocuparam, porque o senti só, prepotente e autista), teve uma finalização bombástica que "arrasou" comigo...

Desde então, eu, que tenho estado um pouco "na moita" a "deixá-los poisar", no meio de tanta conflitualidade, controvérsia, expectativa, preocupação e insegurança...comecei mesmo a ficar seriamente estupefacta, abalada, alarmada...

É que, oiço o "meu presidente" realçar claramente a todo um corpo docente que o elegeu, que não estando ali para lesar ninguém e a tal se comprometia, o melhor mesmo seria desenvolver, de acordo com determinações da tutela, o modelo da avaliação por ela criada...até porque, "não teria particulares vocações quixotescas para herói de nenhuma causa, não estando disposto, portanto, a arriscar a sua vida pessoal e profissional"!!...

Foi aí que eu pensei, como é que o "meu presidente" me vai fazer uma escolha destas!!!...
E perguntei-me, onde é que aquele "puto" que eu conhecera anos antes ali mesmo, naquela escola, tinha despido e deixado esquecida a "camisola" ??!!...

E continuei a divagar, enquanto lá à frente, na mesa da Assembleia "ele" SE ouvia...

Então este homem ainda não se deu conta dos tempos que correm??!!...

Então, ainda não percebeu que não é ele que tem que defender toda uma classe de colegas, sérios, honestos, dedicados, trabalhadores...mas seriam essas fileiras de gente, que se cerrariam e o protegeriam numa tomada de posição vertical, inequívoca e em uníssono, sem se saber onde começa e acaba toda uma escola??!!...

Então não se sente (como profissional que se dá até à exaustão), magoado, vilipendiado, humilhado, desrespeitado??!!...

E não sente solidariedade magoada com quantos já abandonaram a embarcação antes da hora, porque simplesmente tinham coluna vertebral e não puderam mais pactuar??!!...

E não percebe que carreirismos e aproveitamentos sempre grassam, quando as crises, o medo, a suspeição e a sacanagem se instalam??!!...

E que a HORA é de dizer basta, é de firmeza e coragem e jamais de cobardia??!!...

E que o "timoneiro" é o responsável no comando dos destinos de quantos nele acreditaram, puseram fé e esperaram??!!...

E que permitir que nos maltratem gratuitamente e sem limite...
e que ignorar que nos calem com ameaças de fantasmas instalados, sem resistência e sem recusa...é uma forma de conivência inqualificável, porque ignora o espírito de classe, ignora o interesse dos seus pares, ignora que na verdade "somos todos iguais...braços dados ou não"??!!...



E resolvi, ou melhor, este mail e este poema tiveram o mérito de resolver, que hoje, aqui, madrugada dentro, eu "contaria" ao "meu presidente" o meu sonho sonhado:

"VEM...VAMOS EMBORA...ESPERAR NÃO É SABER...
QUEM SABE, FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!!!..."

Anamar

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"PARA LÁ DO UNIVERSO"

Hoje acordei com uma vontade louca de me ir embora...

E pensei: "Devem ter sido elucubrações como esta, comichão na sola dos pés e nos neurónios, que levaram o Cabral, o Gama, o Gonçalves Zarco, o Vaz Teixeira (aprendíamos isto tudo na escola), a fazerem-se "à pista"...

Bom, eu hoje se tivesse uma mochila, ninguém no meu Mundo e alguns cobres no bolso, ia mesmo à busca do outro Mundo, aquele que para lá da vidraça que é a vidinha de todos os dias, me acena "safadamente" com um ar miserável de pirraça por saber que eu não vou...

Este mês de Setembro, com um sol já tímido e que promete ir sumindo em exponencial até ao Inverno, lança pelo ar já, o desejo das próximas férias (as que teremos ou que gostaríamos de fazer); os sonhos empanturram-nos despudoradamente com destinos, destinos e mais destinos com a vontade a aumentar (apenas, na razão inversa do encolher do dinheiro );
os sonhos, que por enquanto são a única coisa legítima que possuímos e não paga imposto, a fervilharem-nos nas mentes e a espicaçarem-nos o desejo, levam-nos assim, logo ao abrir da pestana, a ficar com aquela vontade "marada" de ir mesmo embora...

Juro-vos, invejo "à séria", aqueles seres bafejados e predestinados que, porque não têm amarras, âncoras ou fateixas em nenhum porto ou areal, com a tal mochila nas costas, um cantil na cintura e mais meia dúzia de trastes...(eu, que por mais que me esforce nunca reduzo as minhas bagagens abaixo do irrazoável...coisa de mulher, será?!), partem mundo fora, transformando-o numa aldeia por onde se passeiam em lazer, sem hora de partida ou chegada, sem rota, meta, ou itinerário, apenas num desvario de sentidos, à descoberta de cada gente, de cada local, de cada céu, de cada sol...de cada desafio...

Sim, porque os céus, os sóis, até o vento, têm rota diferente e cheiro distinto em cada canto deste nosso espaço.

Adoraria poder perder-me, só por me perder, em cada pracinha, em cada banco de jardim, em cada dez centímetros de erva, em cada nesga de luz, em cada sardinheira de balcão...

Adoraria embebedar-me nas vidas, nas culturas, nas histórias que sempre nos contam espontaneamente, aqueles que as têm "aos molhos" e que também têm todo o tempo do mundo para as narrar...

Adoraria provar dos sabores e dos sons, da língua, da nostalgia ou da alegria, da luta, em cada retalho deste puzzle aleatoriamente criado...

Adoraria também falar-lhes do meu sol, do meu verde, do meu espaço generoso, de uma natureza quase sempre sorridente e mãe...

Também lhes ensinaria, que apesar disso sempre carregamos genericamente uma tristeza e solidão, sempre carregamos genericamente "cruzes" e conhecemos e cultivamos um sentimento de tradução difícil...SAUDADE!...

Adoraria "empacotar" por cá este destino e guardá-lo num sótão que não tenho, esquecer o que fui e sou, quem tive e tenho e rumar para lá do Universo...

Dirão que o meu "sonho" nada tem de original e será um sonho partilhado.

Está bem, não digo que não;
esta "panca" de marinheiro, aventureiro e descobridor, este "salsifré" que nos empurra para estradas não percorridas, para veredas e falésias inóspitas, para "mares" alterosos ou "flat", deve estar-nos nos genes mesmo... sei lá!...

Só sei que hoje, eu acordei com uma vontade louca de me ir embora...

Anamar


NOTA: Apesar de algumas fotos serem minhas, a grande maioria resultou duma exaustiva recolha na NET. Bem-haja a tão brilhantes autores que assim me permitiram tão profusamente ilustrar este post.