Como sempre hoje acordei sem querer acordar. Ou melhor, obriguei-me a acordar ...Afinal eram horas em que a razoabilidade e o "socialmente" correcto me empurravam já, da cama para fora.
Sabem aquelas remotas ocasiões em que sonhamos um daqueles sonhos tão profundo e tão vívido que parece estar mesmo a acontecer, e que não queremos de forma nenhuma que termine, que nos orfanize sem pedir licença ?
Pois é ... eu sabia que me iria sentir tão vulnerável, tão defraudada, tão só e vazia, quando ele terminasse, que não queria largá-lo de nenhuma forma ...
Era um daqueles sonhos em que não definimos exactamente os rostos das pessoas mas em que sabemos com total clareza quem elas são. Era um sonho em que estava lá tudo, as vozes, os gestos, os sentimentos, as emoções, nós e os outros, os momentos que não podiam voltar a perder-se e que sabia iria deixar-me, quando abrisse os olhos a este mundo que me esperava além daqueles lençóis.
Em suma, era um sonho tão necessário à minha necessidade de preencher este vazio aqui no peito, como uma tigela de água num deserto sufocante !
Estou a terminar a leitura de um livro fantástico, que me transmite algo que não sei definir, mas que faz eco aqui dentro de mim. Não consigo explicar, mas é um livro que além da emoção com que me toma, parece passar-me um recado, uma mensagem, uma sensação, um misto de sentimentos que me mexem e que talvez saiba ou não, porquê ...
"Lobos" de Tania Ganho, é para mim, uma obra de arte. Algo que me fala, capítulo a capítulo, algo que me desperta deste marasmo em que vivo, algo que me sacode, me abana, me sacoleja por dentro, e me deixa assim, como estou ... fragilizada, doída, sofrida ... sangrante !
É um livro que me obriga a contemplar o meu eu, aqui dentro e aqui fora. É um livro que me mergulha em mim mesma e simultaneamente me leva pra fora de mim. É um livro onde sou e não sou, onde me vejo e revejo a cada parágrafo ... e ao mesmo tempo me encontro já lá tão longe, numa curva qualquer de estrada que me tapa a linha do horizonte.
É um livro que só podia ter sido escrito por uma mulher ...
O lobo, como real e simbólico nesta escrita ... O lobo, predador e companheiro, ameaçador e cúmplice, ... digno e intrépido ... o lobo gregário que ecoa na montanha em noites de lua cheia !...
Anamar

Sem comentários:
Enviar um comentário