quarta-feira, 30 de setembro de 2026

" MEMÓRIAS "

 



O Outono chegou ! O equinócio de Outono ocorreu, astronomicamente falando, pelas 1,05 h da madrugada do dia que lhe competia.

Maior banalidade ou trivialidade eu não poderia trazer para a minha escrita, de facto.  Contudo sinto dentro de mim a necessidade deste registo, não sei objectivar o porquê.  O Outono é a "minha" estação, nasci nela, sou parecida com ela e tão nostálgica e mansamente desamparada quanto ela.
É uma época em que a solidão me visita, se possível, mais ainda.  As plantas despem-se, o verde doira e os castanhos e amarelos pintam as paisagens.
Esta solidão da minha casa agiganta-se, o silêncio amplifica-se e a sensação de abandono e perda, toma-me.  Só me apetece chorar  ( o que nos últimos tempos me não tem sido difícil ) ... mas também não sei porquê.
A minha filha veio tomar café comigo, a correr, sempre a correr.  Não aqui em casa, onde ela não gosta de vir, mas ao café próximo.  Talvez meia hora, não mais, seguramente.
Telefonou, dizendo-me a brincar, na sequência de um telefonema de ontem, que vinha aqui, porque se entretanto eu morresse, a consciência não lhe daria paz por nunca se disponibilizar para estar comigo ...
Foi embora entretanto e regressei a este meu canto de sempre, sentindo um vazio avassaladoramente maior ...

Há pouco recebi duma amiga um vídeo de música.  Antes mesmo de confirmar, soube de imediato tratar-se de música cubana genuína.  A sua toada doce, triste e melancólica não deixa nenhuma dúvida, se a tivesse tido.
Fui a Cuba há muitos, muitos anos, talvez para mais de vinte e cinco. Do que vi, senti e absorvi dos dias em que privilegiadamente usufruí uma semana de praia, num resort cinco estrelas, pouco esqueci, e à semelhança do título do vídeo que me chegou, também eu reflecti, afinal um pouco mais, se possível,  sobre o mundo de assimetrias em que vivemos, e do motivo que move a humanidade a impiedosamente subjugar os seus semelhantes em qualquer ponto do planeta, sempre em nome da ganância, da absurda supremacia que julga deter sobre o próximo ... apenas por um direito material que julga possuir, num planeta tão grande, tão generoso e tão belo, que detemos e que chegaria para todos ...
Cuba é uma ilha linda, daquelas que apelidamos de paradisíacas, em pleno Caribe.  Já sofria até ao âmago, das dificuldades, da miséria, da dureza da vida, consequência fundamentalmente do bloqueio político americano.
Lembro os malabarismos que o povo tinha que fazer, simplesmente já então só para sobreviver.  Lembro o bilhete do transporte público que comprávamos e por caridade e veladamente devolvíamos ao motorista para que vendendo-o de novo, ganhasse de novo o seu valor ... lembro os autóctones que clandestinamente preparavam em suas casas, refeições de marisco para os turistas, os chamados "paladares", sob o risco atroz de sanções gravíssimas se viessem a ser descobertos... lembro a gritante e repugnante injustiça de não poderem frequentar as zonas balneares, teoricamente destinadas em exclusivo aos veraneantes, num país que era o seu, numa terra que era a sua... e lembro também como fora de pé passavam no mar para as zonas ditas privadas, tentando vender algumas peças de bijouteria em coral negro comercialização exclusiva do governo, mostrando-as debaixo de água porque as transportavam dentro dos fatos de banho, sempre sob o terror de serem vistos ou denunciados ... lembro das prateleiras quase vazias das farmácias, onde precisei de aceder para comprar um anti-histamínico e onde existiam apenas duas ou três unidades de cada medicamento, para venda ...
Lembro ... como lembro !...
Já então uma Havana esventrada de velha e podre, com várias famílias amontoadas em prédios que terão sido faustosos e réplicas lindas de uma Madrid distante.  Carros americanos a cair aos pedaços, gente a viver de restos, dentistas improvisados em plena calçada, mas a Bodeguita del Médio ou la Floridita, tradicionalmente cheia com os Daiquiris ou os Mujitos para consumo turístico, trazendo Hemingway e a "sua" mesa de sempre, nas fotos por lá espalhadas para que, se possível fosse, ninguém o esquecesse ...
Afinal ele sempre andava por ali ...

E no entanto, um povo caloroso, alegre, embora sofrido, nostálgico mas conformado ... e esperançoso também, resiliente e castigado, que não merece o que lhe está a acontecer ...

Cá de longe, saudades de Cuba !...

Anamar
 



terça-feira, 22 de setembro de 2026

" PEDAÇOS ..."

 


Assisti há pouco a um podcast com o Professor Doutor Sobrinho Simões.

Muito interessante, obviamente, tendo como seria de esperar, o foco no cancro, que dizima  a actualidade, sobretudo, inquietantemente, a faixa etária dos jovens adultos.
É sempre um gosto ouvir determinadas pessoas, com relevância reconhecida e consolidada pela sociedade, sobretudo pessoas que, apesar do seu mérito próprio, sempre souberam e sabem ser figuras discretas, sem pretensão ou deslumbramento face ao relevo científico que lhes é inegável.
São normalmente pessoas simples, sem egos estupidamente inflados, pessoas assertivas, próximas de quem os escuta, claros na linguagem, que até mesmo o comum dos mortais, inclusive quem não possua conhecimento específico na área, escuta atentamente e com leveza esclarecedora.

Outro cientista, professor, pedagogo, embora duma área totalmente diversa, que gosto de ler, acompanhar, reflectir e se possível aprender alguma coisa, é o Professor Doutor Eduardo Sá, psicólogo clínico, psicanalista e psicoterapeuta, dedicado e conhecido sobretudo pela vertente abrangente da infância e adolescência.

Tenho uma filha, enfermeira especialista em ginecologia e obstetrícia, que por sua vez tem uma filha, agora com nove anos.
A minha filha foi diagnosticada há dois anos com cancro de mama.  A minha neta é filha de pais separados, sendo que o pai passa alternadamente em trabalho, períodos no estrangeiro e em Portugal.
Eu, sendo felizmente saudável, tenho já alguma idade potencialmente provocadora de possível preocupação e /ou, insegurança, até porque vivo só e ambas as minhas filhas ( tenho portanto outra ), não residem na terra em que vivo.
Acresce que as respectivas vidas são de alta responsabilidade o que as torna extremamente muito ocupadas, razão pela qual, sempre "está tudo bem", quando falamos telefonicamente.
Essa, a estratégia que utilizo na comunicação. Afinal, para quê, outra ?...

Mas o que me aflige particularmente não é sequer esta realidade.  É certo que de há alguns anos a esta parte, face às vicissitudes da vida, fui reduzindo e afunilando a minha existência, ao reduto caseiro.
Pouco saio, constato que não tenho paciência com a trivialidade de assuntos com que as pessoas ocupam os seus dias, consequentemente as evito sabendo embora que esta postura é melindrosa e potencialmente perigosa. De facto vivo mergulhada num universo cada vez mais redutor, fechado,  desinteressante, num imobilismo que me arrasta numa vida sem objectivos, igual, cansativamente igual todos os dias, o que potencia como se sabe, condições para o agudizar de patologias do foro mental ...

Mas pronto, não era sobre mim que este post recai, mas sim, sobre a minha preocupação com a saúde mental da minha filha.
Neste  momento, a partir da altura em que a doença se lhe declarou e apesar de controlada, diria mesmo extirpada fruto da intervenção cirúrgica radical a que se sujeitou, além de ter alterado bem radicalmente o seu tipo de vida e preocupações, vive obcecada com todos os artigos, informações, metodologias, posturas, etc, como se em permanência corresse atrás de um prejuízo inalcanável.
Ela lê, segue os artigos, as correntes de opinião, os colóquios, os debates ... enfim, parece mais uma postura doentia para a minha idade e não para a dela...  
Depois, como profissionalmente mergulha diariamente na área da saúde, costumo tentar desmistificar os dramas que vive, brincando ao dizer-lhe que só fala em doenças, e isso é coisa de velhos ... !😀
Aqui para nós, é assustador o número de casos com um final bem triste, ocorridos com amigos, colegas dos vários locais por onde passou ou com quem trabalhou, que eu acho a deixam sem chão constantemente ... Tento contudo aligeirar as situações tanto quanto posso, mas não sinto a minha filha feliz !

Vive uma preocupação excessiva com a educação e a vida da filha.  Parece querer proporcionar-lhe em permanência, objectivos que a tornem feliz, como se não houvesse amanhã !... Persegue em permanência uma preocupação de que a vida não moleste muito a Teresa, contorna as dificuldades, atapetando-lhe o caminho, com uma pressa que por vezes me parece recear não ter tempo para a preparar para o futuro !
Eu sinto isso e parece-me raiar em si um comportamento algo patológico e pouco saudável, que não sei explicar mas que muito me angustia.

E todo este conjunto de vectores díspares, difíceis e controversos, são uma mistura explosiva a que não consigo responder.  Bem ao contrário, fico cada vez mais e mais, inerte, como que atolada numa corrente lamacenta, não me mexo, só sinto conforto numa fuga desesperada para a frente, em noites sucessivamente mais longas, no silêncio, no desinvestimento, no desinteresse, em que nada me faz sentido ou me vale a pena, num cansaço profundo e sem fim, numa total e absoluta ausência de foco !...
Estou saturada de mim mesma e não enxergo sequer um lampejo de sol que pelo menos guiasse o meu destino !

Anamar

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

" NUNCA FORAM APENAS CASAS ...


Sou alentejana dos quatro costados, como "soi dizer-se" e eu também já o disse vezes sem conta. Respeito e adoro o "meu chão", profundamente.  Aliás, dentro de mim estabelece-se um diálogo silencioso e muito particular qdo passo a ponte e rumo ao sul.  Um "diálogo" que só eu sinto e não sei nem quero explicar...

Contudo, há muitos anos, demasiados anos que lá não ia.  Estranhamente pareço procurar ingloriamente o que lá deixei.  O que deixei em coisas, em pessoas, em lugares, em cores, cheiros e sabores ... talvez simplesmente, eu ME busque, através das memórias que me preenchem o peito, tão só ...
E como nada já lá está, e como os vazios não foram nem nunca voltarão a ser preenchidos, talvez por isso apenas, eu não vou.
É como querer reencontrar-me com a menina das tranças e rabo de cavalo, dos berlindes, dos jogos do apanha, das rodas e das cegonhas em acasalamento no alto da chaminé de tijolos ...
É como querer reencontrar o meu pai subindo as escadas regressado da viagem em gozo de mais um fim de semana, ver a minha mãe a arear o fogão de petróleo naquela cozinha imensa ... ou a regar as sardinheiras da varanda, embora eu saiba de cór e de olhos fechados, como era, como foi, embora eu saiba de cór os nomes das calçadas, das pedras das ruas, dos jardins e da mata ...
E não vou ...

Esta semana aceitei ir, embora eu soubesse ou adivinhasse que tudo aquilo se transformaria numa espécie de romagem da saudade, tão triste e desconsoladora que o coração se me espremeu vezes sem conta ...
O cemitério onde as campas albergam já há demasiados anos, os que foram indo, era ponto de honra desenhado na minha cabeça. Procurá-las e deixar-lhe sobre as pedras junto às fotos desbotadas, as rosas brancas que levara comigo, era coisa assente, já que, agora sim, seguramente não voltarei.
Ainda assim, num esquema labiríntico, aquele campo sagrado não foi generoso comigo, e sob um sol abrasador de mais de quarenta graus, não me permitiu localizar alguns de quem não cheguei a despedir-me no momento ... porque foi assim ... porque a vida é o que é ... impiedosa quase sempre, mesmo simbolicamente ...

Depois, decidira que desta feita, convicta que estou, ser a última, jurara que tentaria abordar o proprietário actual da casa dos meus avós, para que num gesto de alguma compreensão e piedade, me facultasse ( nem que por breves momentos ) o acesso àquele chão impregnado de todos quantos por ali  andaram a vida toda, o acesso onde, num passe de mágica eu me visse menina de bonecas, de cantareiras, de pirolitos geladinhos do poço com as avencas nas rochas submersas, ou donde eu, levada pelas mãos da minha avó, ia à Missa do Galo nos gélidos Invernos, na Igreja da Saúde enquanto a consoada nos esperava perto do madeiro que ardia de parede a parede na cozinha que então eu via enorme... e onde o Menino Jesus viria nessa madrugada, com os promissores chocolatinhos ... 
Um chão de mim própria adolescente, como se num espelho eu pudesse assomar e olhar bem lá para o fundo ... tão longe ... tão distante que nunca nem eu nem ninguém o conseguiríamos alcançar ...com as memórias trucidadas pelo tempo, que só me aparecem visíveis, vívidas, reais, nos sonhos em que aí sim, percorro de ponta a ponta todos os espaços, oiço todas as vozes, todos os chamamentos, todos os risos ... 
Estarei a ficar louca ??
 
Entrei. Antes não o fizesse. A casa, totalmente destruída é um amontoado de entulho. Debaixo das pedras está tudo e lá ficará tudo !
Saí apressada ... Porquê a vida nos trata assim ?!

A seguir viria uma outra casa, a de Évora onde vivi treze anos e de novo outra carrada de injustas memórias.  Em frente, onde o Fomento me presenteava por cada ano com o casal de cegonhas progenitoras, no topo da chaminé de tijolo, o local onde haviam nascido no ano anterior, um ginásio enorme, acompanha a modernidade e as preocupações das gerações actuais, trouxe-me dos meus três, quatro, treze anos aos dias de hoje ...
Acordei. 
Não valeria por certo a pena ir incomodar a dona da casa para a permissão da minha entrada. Afinal eu também sei de cór esta casa e palmilho-a divisão a divisão, ouvindo a voz da minha mãe ...
Nem as árvores da avenida são sequer as mesmas ...

Eu também não ...

Ficaria aqui sem conseguir trazer do meu eu interior ao dia de hoje, o que foi a minha vida ... As lágrimas assaltaram-me vezes sem conta, mas as pessoas não entendem hoje, como é isso possivel...

É que não conseguem perceber o que são na verdade, as casas da nossa vida !!!...

Anamar

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

" O CHICO "

 


Hoje deu-me em lembrar o Chico.  O Chico, aquele amiguinho de quatro patas que esteve comigo algum tempo da vida dele, e parte imprevisível da minha ...

O Chico terá nascido numa ninhada que uma gata imprevidente pariu, à revelia de quem de direito, numa fábrica, nao sei exactamente de quê, ali para os lados do Cacém.
Foi assim ... quando deram por isso, a bicharada já cá estava fora, e como as operárias eram de bom coração, tentaram que cada coisinha minúscula daquelas que chiava a cada barriga vazia, viesse a ter um lugar neste planeta a que todos têm direito e sempre há lugar para mais um.  Haja  compaixão e boa vontade !...
Distribuídos pelas artesãs, suponho, o Chico, assim baptizado, foi parar a uma família brasileira que viera tentar sorte no nosso país e que morava por ali.  Pai, mãe e dois filhos proporcionaram, creio, boa vida ao Chico até aos seus oito meses mais coisa menos coisa.
A vida complicou, primeiro foi embora o pai e depois de regresso ao Brasil seguir-se-iam a mãe com os putos.
E agora ? Que fazer ao Chico, se o dinheiro era curto até mesmo só para a a família ?

O Facebook !... O Facebook é por vezes a salvação pra muita coisa. Não custa tentar !
O Chico era um senhor gato, ali com bosque norueguês pelo meio, com aquele seu pelo comprido e reluzente, gato e meio em tamanho, totalmente preto, apenas com uma gravatinha branca sob o queixo.
Tinha tanto de bonito como de pachorrento e molengão.  Afinal ele não estava ali pra criar problemas a ninguém ...
Vi-o, olhei-o, lembrei uma vez mais que sempre desejara ter um gato preto e candidatei-me.
E desta forma o Chico veio fazer companhia ao Jonas meio tristinho por ter perdido a Rita, falecida em Março, o Jonas chegara em Dezembro e o Chico viria a entrar em Maio com os tais oito meses de existência.

E pronto, ficou, ficámos todos felizes, pois tirando o raio da mania que tinha de sempre afiar as unhas no mesmo lugar da coberta da minha cama apesar da existência de um arranhador, nada de preocupante viria a passar-se.  A vida corria, portanto, mansa e sem sobressaltos ...

E assim se passavam os anos.
Quando eu me ausentava uns dias, o Jonas amuava e não vinha recepcionar-me à porta, no regresso, mas o Chico, com aquele rabo de raposa, tipo pluma bem alçado, era o primeiro a confirmar se era mesmo eu que aí vinha, como prometera.
Se me descuidava o Chico atrevia-se escada abaixo, de andar em andar, cheirando os tapetes da vizinhança ou mesmo neles afiando as unhas.  Uma vez não me apercebi, fechei a porta e passado algum tempo tinha o Chico, do lado de fora a miar-me e a arranhar a porta para entrar.
Deu uma de "rufia" dessa vez ... mas não errou de endereço !...

Passado alguns anos apercebi-me que o Chico bebia continuadamente água, perdeu um pouco o apetite, vomitava com alguma frequência e ficou ainda menos activo do que já era.  Veterinário, exames, etc, etc, etc ... o Chico foi diagnosticado com diabetes.
Insulina duas vezes ao dia, alimentação especial, ir gerindo o melhor que soube.  Havia o risco da glicose se desgovernar, entrar em hipoglicémia, que seria fatal.

Naquele dia, com diagnósticos também de pancreatite e já alguma falência renal, o Chico deixou de comer, de beber água, de ir à areia, remetendo-se apenas à sua caminha, tentando passar desperebido.
Eu trazia-lhe ingloriamente a água à boca, a comida, desejando que chegassem as horas de o injectar com a insulina.  Para mim ele teria tido uma subida no açúcar.
Eu não sabia mais que isso, ninguém nunca me havia alertado para uma emergência contária.
E dei-lhe, às onze da noite a injecção da insulina, como sempre.

Dizem que os gatos quando pressentem a morte, o fazem com dignidade, isolam-se o mais possível, se puderem, escondem-se mesmo, como se não quisessem incomodar ...
O Chico ficou o mais inerte que pôde, ficou indiferente, alheou-se de tudo apesar de eu nunca ter saído de perto dele. O Chico piorava a olhos vistos. Telefonei para o serviço de urgência do hospital veternário, expus a situação.  Era uma hora da manhã ... o Chico entrara em hipoglicémia.  O médico de plantão disse-me que a situação era muito grave. Eu ainda agravara mais a situação clínica do Chico, por desconhecimento e ignorância ... fizera tudo ao contrário ...
Dei-lhe uma pequena colher de mel e assim que começou a clarear o dia 24 de Julho de 2023 rumámos em desespero à urgência onde viria, no meu cólo, a terminar o tempo que desde sempre lhe estaria destinado, pelas quatro da tarde ... 
Viveu comigo dez anos, o Chico. E até hoje sinto a culpa da sua morte ...

Hoje, deu-me em lembrar o Chico.  Sei lá porquê !  Talvez porque o Jonas que já tem catorze anos, e é o meu companheiro de todas as horas, me entende e só não sabe falar a minha linguagem, qualquer dia, num dia que nem quero saber onde fica no calendário, ( pela lei natural das coisas... é assim que se costuma dizer ... ) irá fazer companhia ao Chico, mas também à Rita, ao Óscar, ao Gaspar, à Dalila e ao Sansão, ao Nico e à Nicas ... enfim, a tantos quantos por lá estão já à minha espera ...
E nesse dia ... não sei o que será de mim !...

Anamar