" A única pista para sabermos o que o Homem pode vir a fazer, é o que o Homem já fez !"
Com esta frase termina o fantástico filme ora em exibição nos cinemas, "Nuremberg", e deve-se a R. G. Collingwood, filósofo, historiador e arqueólogo britânico falecido em 1943 com 53 anos.
O filme, magistralmente conseguido reporta-se historicamente, aos julgamentos do Tribunal Internacional de Nuremberg, pós-segunda Guerra Mundial (39-45), em que foram julgados e incriminados os indivíduos mentores e executores da barbárie levada a cabo por Hitler e seus apaniguados, contra os judeus e outros cidadãos.
Os métodos utilizados de perseguição e detenção gratuita, configurados em crimes de guerra contra a humanidade, crimes hediondos, de extermínio e eliminação da raça, levaram ao genocídio milhares e milhares de judeus, nos campos de concentração, localizados maioritária e sigilosamente criados por toda a Alemanha ou pela Polónia ocupada durante o Holocausto e que se estendiam igualmente a outros territórios europeus, como por exemplo a Áustria.
Lá, os judeus, indistintamente homens, mulheres e crianças, eram barbaramente sujeitos às mais variadas sevícias, acabando "grosso modo" nas câmaras de morte, submetidos à inalação de gás tóxico.
Em pouco mais de quatro anos e meio, a Alemanha nazi, executou sistematicamente pelo menos, 1,1 milhão de pessoas, só em Auschwitz-Birkenau, campo construído no sul da Polónia.
Além dos judeus a serem erradicados da Europa, também polacos, negros, comunistas, ciganos, prisioneiros de guerra russos e homossexuais, ali perderam as suas vidas. Hitler e os seus cúmplices, pretendiam o "apuramento da raça" a qualquer custo, numa loucura de extermínio sem contenção.
Em Janeiro de 1945, o Exército Vermelho que finalmente conseguiu cautelosamente entrar em Auschwitz, onde já só restavam cerca de 7 mil prisioneiros, deparou-se igualmente com cadáveres decompostos, barracões arruinados e os poucos vivos, que em situação e estado super-precário, ainda resistiam...
Esses crimes cometidos contra a humanidade, essa sanha de perseguição e morte, a destruição de famílias, cujos membros nunca mais se encontraram, a busca do que foi chamada a "solução final ", colocou a Europa frente à loucura de um homem e seus apaniguados, que a História jamais esquecerá ou poderá ignorar.
Nuremberg foi a cidade escolhida como sede do tribunal, com carácter simbólico, por ter sido a cidade onde Hitler havia promulgado as primeiras leis antissemitas.
Foi um tribunal preparado para julgar crimes de guerra e crimes contra a humanidade, cometidos pelos nazis, à luz do direito internacional.
Finda a guerra, os aliados Reino Unido, Estados Unidos, França e União Soviética uniram-se em torno da constituição deste tribunal, um marco no Direito Penal Internacional.
Nele foram julgados os principais agentes do genocídio acontecido, tais como Hitler, Göring, Rudolf Hess, Gobbels, entre outros.
Dos 24 acusados, 22 foram condenados. Alguns não chegaram a ser julgados porque praticaram suicídio.
Como pôde acontecer tudo isto, perguntamo-nos ?
O filme pretende que jamais tal volte a acontecer, é um abre-olhos para todos, mesmo as gerações mais novas e distanciadas do horror vivido e é um instrumento que fornece ferramentas para que a História de facto não venha a esquecer.
Dizem que a História não se repete ... Tenho sérias dúvidas quanto a isso.
Bem ao contrário, fazendo uma retrospectiva e colocando-a em paralelo com a sociedade em que vivemos hoje, pode perceber-se claramente que nem tudo são meras coincidências, nem tudo acontece por aleatoriedade das questões, e o perigo vivido no fim da Segunda Grande Guerra, talvez não esteja tão longínquo como se poderá imaginar.
Afinal, novos Hitleres campeiam bem mais do que poderíamos supor, diabolizando os nossos destinos !!!
E sim, o "déjà vu" não surge tão distante como sendo apenas um sonho ruim ...
Anamar

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