Será um blogue escrito com a aleatoriedade da aleatoriedade das emoções de cada momento... É de mim, para todos, mas também para ninguém... É feito de amor, com o amor que nutro pela escrita...

quarta-feira, 2 de outubro de 2024
A " DESENCANTADA" - RITA, UMA HISTÓRIA DE AMOR E PACIÊNCIA
quinta-feira, 13 de julho de 2023
" AS PROFUNDEZAS DO NOSSO EU ..."
O ser humano é de facto uma máquina extremamente complexa. Não me refiro, obviamente aos seus contornos físicos mas sim à impenetrabilidade da sua mente, da sua psique, daquele "mundo" hermético e inacessível que é o seu eu interior ... onde o alcance, o conhecimento e consequentemente a compreensão e descodificação, de tão impenetráveis, eu diria serem uma impossibilidade, mesmo para os especialistas entendidos na matéria, independentemente de disporem ao dia de hoje de infinitas ferramentas e metodologias desafiadoras, testadas e largamente ensaiadas.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
" TINHA QUE SER "
Parei de escrever no início do mês. Assim o atesta a data do meu último post.
quinta-feira, 18 de junho de 2020
" FESTA DA AMIZADE "
Nesta anormalidade quase já normal que vivemos ( já nem conseguimos surpreender-nos com nada ... ), resolvi desafiar duas amigas, daquelas de toda a vida.
Amigas, meio amigas quase irmãs, de quarenta, cinquenta anos ... por aí ... daquelas que a vida nos oferece de bandeja, no virar de uma esquina, num qualquer acidente de percurso ... Que chegam, e depois nunca mais partem das nossas vidas !
Até porque nós nem íamos deixar ... era o que faltava !!!
Não podemos nunca esquecer que os amigos são a "família" escolhida, e são eles que, quando os nossos ancestrais vão partindo, nos ficam à cabeceira ...
São eles que nos escutam, quando os acontecimentos que nos atravessam o caminho, nos tentam derrubar ... são eles que nos limpam as lágrimas e nos dão colo, se os desgostos nos invadem e amarfanham ... são eles que nos amparam quando parece não haver luz nenhuma nas estradas a percorrer ... e o cansaço nos atormenta ...
Mas é também com eles que dividimos as alegrias, que rimos, brincamos e partilhamos momentos que por serem tão especiais, se tornam eternos ...
E foi um desses momentos, a tarde em que confraternizámos ontem.
Desafiei duas amigas, dizia eu, a fazermos um almoço juntas, num local que conheço e que sei seguro, com respeito por todas as regras do desconfinamento, na preservação da segurança individual de cada uma de nós.
Em torno de um caril de gambas com frutas, de um copo de branco bem fresquinho e de umas farófias tão inexpugnáveis quanto as muralhas encasteladas das fortalezas mouriscas, nem demos pelo tempo passar, tão animada era a conversa, tanta a necessidade de nos contarmos como estamos a viver todo este pesadelo, como tentamos superar as dificuldades que parecem ser cada vez maiores, tanta a cumplicidade que advinha de uma partilha de histórias que foram as nossas, e vividas tão de perto ao longo dos tempos ...
Os assuntos fluíam naturalmente, porque a linguagem era a mesma, a forma de estar e sentir também, as inquietações identificadas e conhecidas, as angústias partilhadas sentidas da mesma forma ...
As nossas actividades profissionais eram comuns, e como tal, reabrir o baú das recordações, foi gratificante, doce e saudoso ... mas também divertido e mesmo hilariante !
Porque lembrar as histórias, os momentos, os episódios ... até as pessoas que já partiram ... nos aquecia o coração ... nos levava numa viagem de regresso lá atrás, a tempos e a vivências inalienáveis e inesquecíveis ...
A tarde passou, por isso, muito rápido.
Resolvemos, para registar este encontro tão particular e feliz, fazer uma selfie de recordação pela reabertura da vida, pela saída da clausura total e pela esperança em melhores dias.
E na celebração que chamámos de Festa da Amizade, jurámos para breve, a repetição de outro "programita" assim divertido ... porque a vida é curta e nunca sabemos até quando nos deixarão andar por aqui !...
Anamar
terça-feira, 5 de março de 2019
" NO REINO DO FAZ DE CONTA ..."

Carnaval cinzento, com alguma chuva miúda mas incómoda e aragem desabrida, contrariamente ao tempo que se tem feito sentir nas últimas semanas. Está mais para quarta-feira de cinzas do que p'ra terça gorda ... O próprio tempo a brincar, ao que parece, ele mesmo, com os foliões !
Nunca gostei desta quadra meio ilógica e aparvalhada. Desde miúda, fase da vida de riso fácil, folia desejada e inconsequência óbvia, nunca apreciei essa determinação calendarizada, de rir, brincar, disparatar e ser irreverente, só porque "é Carnaval e ninguém leva a mal " !
A busca de nos passarmos por um "outro" que não somos, de nos enfiarmos debaixo de uma pele que não é nossa, de fazermos de conta gratuitamente que agora é a hora de estar feliz e divertido ... nunca foi a "minha praia".
Em criança, inevitavelmente a minha mãe sempre me mascarava. Era uma questão "institucional". E sempre, da mesma coisa. Ou era de sevilhana, ou de minhota ou de camponesa da Serra d'Ossa, em cujas faldas ficava a vila onde havia nascido. Eram as indumentárias existentes à época, ainda assim, emprestadas por uma madrinha rica que podia dar-se ao luxo de as haver adquirido.
E todos os anos, os Carnavais tinham para mim, portanto, o mesmo "rosto".
Era uma chateação ter de me prestar a tais atribulações de vestimenta, penteado e maquilhagem, só para vir à rua fazer um pequeno desfile. Não dava para o trabalho. Acho mesmo, ou melhor, tenho quase a certeza de que a minha mãe se divertia com isso, bem mais do que eu ...
Os anos passaram e foi a minha vez de ser mãe.
Carnaval existe todos os anos, a tradição, incoerentemente parece meter-se dentro de nós, as famigeradas farpelas atravessaram os tempos e continuavam a pé firme ( com alguma picadela de traça na lã das indumentárias ) ... e as minhas filhas, igualmente sem entusiasmo excessivo ... foram as próximas "vítimas" !...
Ainda não existiam lojas de chineses, com toda a panóplia interminável de trajes de tudo e mais umas botas ... a um preço baratinho baratinho, fazendo jus ao descartável da coisa ( até para que não nos entediemos por repetições enfadonhas ) ... e portanto, a sevilhana, a minhota ou a camponesa da Serra d'Ossa baixavam ao terreiro, e eram de novo, as opções viáveis.
A minha filha mais velha, desde sempre coquete e vaidosinha, adorava as peripécias. Não reclamava dos puxões de cabelo a cobrir a palha de aço com que lhe arranjava volume para que a "peineta" não caísse, suportava quase sem pestanejar, a maquilhagem a rigor onde não faltava um sinal postiço e sensual na bochecha, colocava a mantilha com preceito e as castanholas nas mãos, não se agitava muito para não perigar o "boneco", e desfilava com toda a pose e compenetração devidas à circunstância. E parecia não se enfadar. Adorava a coisa !
A outra, desde sempre mais maria-rapaz, amofinava-se com tudo aquilo e não descansava enquanto não se desparamentava.
Resumiam-se portanto a curtas e rápidas incursões pelas mascaradas, as tentativas inglórias que eu fazia para que ela se divertisse.
Se divertisse ... achava eu, esquecida que parecia estar dos meus "padecimentos", na curva do tempo ...
Idas a corsos, desfiles e afins, ocorreram algumas poucas vezes, e ainda assim nunca por iniciativa pessoal.
Hoje, acho que nem sequer já os netos mais velhos se mascaram. O António, nos seus quase 18 anos, sempre muito contido e formal, penso que só em bébé a mãe o terá levado à certa ...
A Vitória, quase com 15, naquela fase chata e incontornável de uma adolescência espartilhada e controladora, deve achar toda esta transgressão um "non sense" para o que não tem paciência ... aposto ...
Resta o Kiko ... Por acaso não perguntei, mas talvez ele, com os seus onze anos, galhofeiro, super bem disposto e em constante brincadeira ... ele que leva a vida num permanente Entrudo ... talvez ele tenha optado por um qualquer boneco caricatural da sociedade actual, para se travestir. É o seu estilo preferido ...
Agora é a vez da Teresa. Essa, com vinte e um meses, ainda não disse nem sim nem não ... Mas tanto quanto pude ver, não reclamou ou sequer tentou tirar as asas e a saia de uma borboleta linda, com que festejou a quadra, na escolinha. Espantosamente, nem arrancou da cabeça, como faz impacientemente com os ganchos do cabelo, a bandolete que compunha o traje. E parecia bem compenetrada do seu papel, rua adiante ...
Bom, isto está mesmo quase a terminar. Amanhã começa a época cinzenta e descolorida do calendário. A Quaresma, vivida nos preceitos religiosos, fecha as portas à desbunda, à irreverência e ao "pecado" dos excessos ora cometidos. Entra-se na penumbra, na reflexão e na penitência.
E a loucura destes três dias em que estranhamente o ser humano se transfigura, se camufla, se omite atrás de uma máscara, ansiando o que não é, não foi e eventualmente nunca será ... a alucinação global, em que mergulhados tudo se nos permitiu, está a findar.
"Se a vida são dois dias e o Carnaval, três", houve que dar vazão aos desvios, aos excessos e às transgressões que se permitiram atrás de um disfarce.
No calor do Rio, ao que vi, a liberdade permitida da quadra, foi instrumento que se usou não só para a festa, a folia e a alegria solta do povo, mas também para homenagens e protestos.
Felizmente, a manifestação de uma consciência social, a dizer no sambódromo o que não pode ser dito neste momento, a lembrar o que é arbitrário e perseguido, a despertar o que está silencioso e censurado, eclodiu e desceu à Sapucaí e ao mundo, mostrando os desmandos de uma sociedade silenciada, manietada, discriminada e ameaçada !
Em Veneza, o carisma barroco do seu Carnaval, "clean", civilizado, com a habitual "politesse", desfilou para turista ver ... como sempre !
Por cá, as sátiras sociais nos variados Carnavais do país, nos carros alegóricos, nos cabeçudos, matrafonas, zés-pereiras, não pouparam à tripa forra as figuras públicas na berra, passíveis de serem ridicularizadas e denunciadas. As "charges" políticas e sociais não poupam ninguém.
Aqui também, o cariz social subrepticiamente aproveitado para se dizer o que depois se calará ...
E amanhã, a máscara ... esta ... ( não a de todos os dias ), cairá definitivamente, arrumando-se por mais um ano ... Afinal, foi mais um Carnaval que passou !...
Anamar
domingo, 24 de fevereiro de 2019
" UM FUTURO AMIGO DOS IDOSOS ..."
Caminhando pela mata, num domingo primaveril, desocupado e leve, reflectia eu, no silêncio aconchegante do verde que me envolvia, sobre um artigo que li recentemente no Jornal "O Público", respeitante a um tema que inevitavelmente, em situação normal, nos tocará a todos : o destino que o futuro mais ou menos remoto, dará às nossas vidas.
Quando eu ainda leccionava ( numa escola que foi da vida inteira, com um corpo docente praticamente estável, também da vida inteira ), de quando em vez, meio a rir meio a sério, nos intervalos ou nos "furos", em torno de uma mesa ou num dos sofás da sala dos professores, calhava vir, a sacramental conversa de circunstância : "um dia havíamos de ir todas para o mesmo lar. O que é que acham ? Ia ser divertido. Íamos lembrar as histórias por que passámos, íamos falar dos assuntos que nos interessam, íamos ter tardes intermináveis de tertúlias infindáveis, e serões à lareira, de risos e memórias, de partilhas e cumplicidades.
Cada um, de acordo com as suas capacidades, motivações e gostos, seria uma mais valia para o grupo. A confiança e a amizade fariam o resto ...
E claro, íamos ter infinitas embirrações, manias, discussões e "caduquices" !!! Já pensaram como ia ser animado ? Bem mais animado seguramente, do que o que provavelmente se desenhará no nosso horizonte, de acordo com os figurinos actuais ..."
Ríamos, dizíamos uma outra laracha a propósito, encompridávamos o pensamento pelos tempos vindouros, como se dessa forma pudéssemos espreitar adiante ... E pronto ... não passava disso mesmo !
É que, "esse dia" surgia ainda remoto nas nossas vidas. Era um cenário considerável, mas tão distante na verdade, nas nossas mentes, que não nos causava qualquer apoquentação real !
Afinal ainda faltava tanto para nos aposentarmos, tanto para envelhecermos, tanto para sequer equacionarmos a necessidade de nos colocarmos essa questão !
Éramos jovens, podíamos tudo, atravessávamos a idade de produzir em pleno, éramos profissionais denodados, mães e pais de filhos ainda pequenos, em idade escolar alguns, menorzinhos outros ... e esse assunto vinha e ia com a leveza de uma preocupação que a bem dizer, ainda não o era.
Conformava simplesmente, uma espécie de brincadeira com que nos experimentávamos.
Contudo, o tempo passou. E como passou rápido !
Alguns de nós também já passaram do mundo dos vivos, e de outros, vamos sabendo com frequência demais para nossa mágoa e tristeza, que se encontram injustamente em vidas precárias, já sem qualidade ou esperança.
E de repente, parece que esquecemos que haveria um dia em que o "tal dia" nos ficaria mesmo mesmo ao virar da esquina. E chegamos a surpreender-nos ... nem chego a perceber bem porquê !...
E o nosso devir está aí. O passado, o presente e o que será o futuro, parecem ter-se sentado rapidamente na nossa mesa, parecem ter ocupado um lugarzinho na nossa cabeceira, por cada manhã que despertamos ...
Os filhos estão criados e criam outros filhos. As casas paternas ficaram imensas pelos espaços vazios que albergam. O nosso tempo individual também se agigantou. Os projectos são tão relativos quanto o tempo de que teoricamente disporemos. E finalmente, não poderemos ignorar ou fingir que não percebemos, que o tal dia se aproxima a passos largos.
Há que delineá-lo, então. O futuro que ainda tivermos, convém que possamos nós mesmos, defini-lo.
Pelo menos, eu penso assim. O que eu quiser, dentro do que eu puder, exijo que me caiba a mim decidir.
É aí que se prende o artigo que referi e que posto abaixo, da autoria da jornalista Alexandra Campos do jornal "O Público" e que deixo à vossa consideração.
Em Portugal, esta solução para o destino sénior, poderá ainda classificar-se de uma miragem, creio. Contudo, parece começar a dar os primeiros passos, e parece-me também ter a simpatia e a adesão da maioria das pessoas eventualmente abrangíveis, no futuro.
Não acredito que possa vir a considerar-se com expressão social, já na minha geração, infelizmente. Seria utópico nisso acreditar.
Pesando embora a sensibilização geral favorável a este modelo de futuro geriátrico, esbarra-se objectivamente, como sempre, em todo o tipo de obstáculos materiais, institucionais, políticos, legais, económicos e até culturais, que na verdade, do ponto de vista prático, serão barreiras muito difíceis de ultrapassar num país de parcos recursos e de carências múltiplas aos mais variados níveis.
Levará tempo até que Portugal se torne de facto, um país "amigo dos idosos" !
Mas que seria tão simpático que dele pudéssemos usufruir ... lá isso, seria !!!
Anamar
quinta-feira, 14 de junho de 2018
" TINHA QUE SER ... "
As minhas "miúdas" aniversariam no próximo 15 de Junho, sexta-feira ! Mania das mulheres sempre terem destas originalidades ...
Com tantos dias do ano, espaçadas de treze anos, entenderam que o 15 de Junho seria delas ! Excentricidades femininas ... eu diria !...
Significa isto, que enquanto que a Vitória completa os seus catorze anos ( à beirinha de entrar numa idade mais responsável, séria e complicada da vida ... acho ), a Teresa inicia-se nestas andanças de apagar velas, ou vela ... mais propriamente... coisa que ainda não domina.
Desta forma, as minhas duas netas resolveram complicar-nos um pouco mais a vida, porque se uma já quase quer ir à discoteca, ter o jantar com os amigos, numa incipiente abordagem nocturna ... a outra, tem a noite como imprópria para qualquer evento ou comemoração, nem que seja apagar a sua própria vela, porque essas horas se coadunam mais, para chupeta na boca, rabugice de sono e ó-ó na almejada caminha.
Assim, a logística destas coisas fica quase irresolúvel !
Juntar as comemorações, juntando a família e os amigos, seria uma ideia. Contudo, vem a revelar-se como um feito épico... uma impossibilidade inultrapassável.
Para ajudar à festa, uma vive separada da outra pelo Tejo de permeio. Margem norte, margem sul, com todo aquele "emocionante", rápido e fácil acesso à ponte, que todos conhecemos, com dificuldade acrescida ao fim de semana ... e com dificuldade mais acrescida ainda, neste tempo beirando o Verão, com o pessoal sedento de praia, mergulhado que tem estado há tempo de mais, na metereologia desanimadora e pouco generosa que se tem feito sentir ...
Por isso, nesta minha família de meia dúzia de "gatos pingados", tudo parece tornar-se sempre, gozadoramente provocador e difícil.... se não, mesmo impossível !
Discute-se ( parece-me que sem qualquer sucesso ), o "onde", o "quando", o "como" fazer para congregar interesses, conciliar vontades, enfim levar a bom porto o que efectivamente seria engraçado entre as primas ... poderem, desde já e vida fora, vivenciar em partilha com todos nós, a comemoração dos seus nascimentos.
Não sei se é o ser humano que é difícil de ajeitar, se aqui se trata sumariamente da confirmação de que não há de facto, coincidências ... É que, com mães complicadas na forma como encaram as coisas, duma maneira sempre espartilhada, musculada e irredutível, cada uma na sua "intocável" óptica, sem lugar a contemporizações, sem corações p'ra grandes cedências e acertos entre si, ou as raparigas um dia tomam conta da coisa, ou destas "moitas" não sairá "coelho" ... estou em crer !
É muito cedo para isso, mas penso que a "décalage" temporal entre elas, não irá mesmo viabilizar o alcance desse desiderato, haja em vista que quando a Teresa tiver a idade que agora a Vitória tem, já esta provavelmente é mãe de filhos ...
Isto sou eu, a pensar !... ( rsrsrs )
Assim, estamos de novo encalhados num beco aparentemente sem escapatória. E se vislumbrámos, lá longe, uma luzinha promissora por entre as nuvens encasteladas que por aqui persistem em passar, o que nos animou o coração e encheu a alma de auspiciosa esperança, logo o negrume do céu volta a descer e a envolver a nossa realidade, impedindo a concretização do que seria um passo importante na vida de todos nós : a aproximação das "margens" ...
Portanto, estou em crer que ainda não são as minhas "miúdas", desta feita, a conseguirem pegar a ponta do novelo para o desemaranhar, a conseguirem colocar bom senso na cabeça dos adultos, a conseguirem tornar uma "família" numa família de verdade !!!...
E é pena !
Talvez um dia possam vir a perceber, a importância de certas coisas na vida !...
Anamar
sábado, 2 de junho de 2018
" UM CASO DE JUSTIÇA "
Nas minhas deambulações por aqui, abrindo, lendo, relendo ... deparei-me com uma enorme falta minha, perante quem me lê, embora involuntária.
Essa falta exige-me, obviamente, uma retratação e consequente pedido de desculpas.
A página deste blogue onde publico cada texto, exibe em rodapé um item referente aos comentários que cada um queira apor no mesmo. Sempre olho e quase sempre leio "sem comentários".
Até porque quando alguém comenta, entendia eu, que deveria ser ali expresso, como algumas, poucas vezes acontece.
Bom, lamento e sempre entendo que a parca interacção entre quem me lê e mim própria, se deverá por certo, ao fraco interesse ou qualidade do que vou postando.
"Paciência"... digo-me, porque sendo eu uma mulher de dialéctica, de tertúlia, de opinião, sempre mantenho alguma expectativa em relação ao feed-back que gostaria de ter.
Mas as pessoas, apesar de visitarem o Filosofices ( o que fica registado ), não são obrigadas a opinar nada, mesmo que o fizessem, como quase sempre acontece, de forma anónima.
Ora hoje, "bisbilhotando" outras insuspeitas funcionalidades do blogue, verifiquei que afinal constam efectivamente, registos de variados comentários, ao longo dos tempos, aos quais, pareço não ter respondido, sugerindo uma postura incorrecta e desadequada da minha parte.
Uma deselegância sem tamanho, porque prezo todas as opiniões, mesmo as divergentes, e sempre aprecio os diversos pontos de vista que tornam o ser humano múltiplo e singular.
Fiquei, digamos que pasmada, e de mal comigo mesma.
Apresto-me portanto a pedir aos meus leitores, as mais sinceras desculpas por esta minha "distracção" /ignorância, que parece reflectir sem que o seja, um desinteresse, um descaso, uma profunda incorrecção da minha pessoa.
Não foi esta, claramente a minha intenção !
Mas porque a defendo, acho que a justiça está sempre em tempo de ser reposta !
Agradeço-vos a todos, peço-vos uma vez mais a generosidade da vossa compreensão e tentarei daqui para a frente, manter-me atenta, ser mais cuidadosa e agradecida !
Anamar
sábado, 4 de abril de 2015
" OS APÁTRIDAS "
Isto de não se ter terra, tem que se lhe diga !...
Nestas alturas, Natal e Páscoa, época de êxodo do pessoal, isso dá cá uma gastura !...
Viver na grande cidade, sobretudo na capital, confere-nos um estatuto injusto de "orfandade".
Até as cidades de província, sobretudo do interior, sendo agregados populacionais menores, são menos impessoais, menos incaracterísticas, menos anónimas, mais aconchegantes ... mais regaço e ninho!
Por outro lado, estou crente que quem nasceu e viveu a sua vida, exclusivamente na capital, será um devoto inveterado do seu chão, sentindo-o como de facto o é, o único "colo de mãe" que conheceu.
Acaba por estabelecer raízes, laços e cordões que vêm do útero telúrico.
Não anseia logicamente outra realidade, não sente outras necessidades ou premências ... Não conheceu outra terra, de berço. E a gente ama o que conhece !
A questão coloca-se em quem, tendo nascido no interior, nele criou os seus mais antigos e profundos laços relacionais, nele implantou afectos, nele vivenciou as primeiras emoções ... e depois, fruto do percurso da vida, migrou para a capital, e aí se radicou.
Verdadeiramente, este indivíduo é um indivíduo de fronteira, é um desalojado ... é um "sem terra" !...
E depois, é também um ser desmembrado, dividido, amputado, de alguma forma ... Porque, muito embora toda a sua realidade se processe na grande metrópole, quase sempre o coração permaneceu por lá, as memórias também, e a saudade continua arreigada àquela terra, de onde, fruto das circunstâncias, foi extirpado !
E sempre o seu imaginário mais embalador, para lá o remete ...
Lá, era a casa dos avós ou mesmo dos pais idosos ...
Lá, era o "paparico" da tia velha, que jurava nos engordaria, aquando da nossa estadia ...
Lá, ficaram as brincadeiras irreverentes, a época auspiciosa das férias, os amigos, que por serem os primeiros, o eram de coração e para toda a vida ... Os primeiros namoricos ... a emoção do primeiro beijo aceso ...
Lá, eram os dias grandes e ensolarados, a liberdade da rua ... lá, era a sensação da borboleta solta, voejando de flor em flor ...
As memórias mais doces, normalmente as da infância e da juventude, prendem-se claramente por lá ...
A vida real, dura e sofrida, a vida adulta, à séria, implacável quase sempre, com os seus inerentes e óbvios desencantos e dificuldades, as responsabilidades pesadas que nos ajoujam ... instalaram-se mais tarde, na grande cidade que nos acolhe.
Esse indivíduo apátrida, vive portanto entre duas referências, dois mundos, duas memórias distintas !
E sempre que pode, quando pode, responde ao chamado do coração.
E o êxodo inicia-se.
É assim nos Natais, é assim nas Páscoas, quase sempre no Verâo !...
Lisboa esvazia-se, e há uma exuberância na migração, uma alegria provocatória e contagiante, uma expectativa infantil, em cada família, em cada pessoa, à medida que os quilómetros da estrada se vencem, e o torrão natal se aproxima !
À medida que o céu de Lisboa nos fica pelas costas ... e o ruído do trânsito incómodo, se substitui pelo zumbido dos insectos, pelo pipilar das aves, pelo sussurro afagante da brisa campestre, à tardinha ... pelo marulhar manso da ribeira !
Pela proximidade antevista dos rostos queridos, das conversas que se hão-de ter, das gargalhadas que se hão-de soltar, das novidades que se hão-de trocar ...
Somos portanto reais emigrantes, dentro da nossa terra ...
A ansiedade é sem dúvida a mesma ! A felicidade, também !
Mas depois há ainda uma terceira realidade, a mais doída e a mais dramática de todas.
Respeita àquele em que nos tornámos, quando naquela terra que era a nossa, que nos esperava sempre, nos acolhia e aninhava ... já só existe um vazio de doer ...
A família já partiu faz tempo ; os lugares, com o passar dos anos, descaracterizaram-se, já os não conhecemos ; as casas que foram "nossas", detentoras dos nossos sonhos e ilusões, foram alienadas, ou já não têm pedra sobre pedra ... e os amigos que lá fizemos, mercê da passagem irrevogável do tempo, do afastamento e da realidade da vida, parecem-nos estranhos ...
A cumplicidade que nos unia não a sentimos mais ... não com aquela força mobilizadora, que parecia nenhum vento ser capaz de abanar ...
Restaram as imagens esfumadas nos olhos, os sentires já difusos no nosso coração ... as memórias e as recordações felizes, que agora doem ...
E uma lágrima teimosa que espreita, e um nó na garganta que sufoca ... Não mais !
A vida não nos deixou nenhuma margem ...
Não vale a pena engrossar nenhum êxodo ... porque não temos sequer para onde o fazer !...
Ficamos ... mas ficamos tristes, quietos no nosso canto, a vê-los partir ... É como se afinal, nenhum pedaço de terra, tivesse sobrado para nós !...
Tristemente, tornamo-nos assim, no mais "apátrida" entre os apátridas !...

Anamar
segunda-feira, 25 de março de 2013
O " DESTINO " IRREMEDIAVELMENTE INFIEL DO " MACHO "...
Estava aqui a reflectir com os meus botões, e o que reflecti não acrescenta nem retira nada a tudo quanto seguramente é do domínio de todos, nem mesmo tem um pingo de originalidade na história dos "géneros", transversalmente à Vida, tenho a certeza, !
Resultou a minha reflexão de um facto algo insólito, que reporto como hilariante, que me fez sorrir ( já que não sou de riso fácil ), e que deve ter deixado alguém talvez "atrapalhado", ou pelo menos "um pouco lixado" ... se é que os homens se atrapalham com coisas destas ... o que duvido !!!
E prende-se ao facto de, pelas 8 horas da manhã, me terem caído no telemóvel, duas mensagens que não me eram dirigidas, e que por desígnios do destino, ou porque o diabo está por vezes atrás da porta, o emissor das mesmas, teve o azar de ter disparado erradamente.
A pessoa que emitiu as mensagens é minha amiga, tem uma vida familiar construída equilibradamente, com filhos em idade escolar, inclusive.
É o tipo de "chefe de família" - puxando agora este chavão em desuso, mas que acho que se apropria aqui lindamente, para que percebam o que quero dizer - absolutamente certinho, cumpridor de horários, dedicado, preocupado ... em suma, eu diria tão exemplar, que incapaz de " partir um prato", ou "meter a pata na poça ".
Pois bem, as mensagens foram disparadas em hora de distração ... e como vos disse, erradamente ...
Azar dos azares !!!
Nada importante afinal, estou certa ! ( Eu é que ainda me esforço para acreditar no Pai Natal !!... )
Foi então que comecei a repassar na minha mente, como numa espécie de "rewind", o perfil de miríades de homens que conheço, que conheci, com quem convivo, uns mais amigos que outros, uns mais proximamente que outros, uns na categoria de conhecidos, outros nem tanto.
E realmente ... voltei a sorrir ... Só sorrir !
E pensei com algum desânimo : " De facto, pobre da mulher que acredite que pode acreditar ( desculpem a redundância ) no parceiro, que com ela divide este planeta " !!!...
Não vou pormenorizar, não vou sequer enumerar, não vou concretizar ( não vem à colação, embora na minha cabeça tivessem desfilado dezenas de perfis todos com rosto, na maioria ... apenas referidos por outrém ... alguns ).
Na realidade, o "bicho-homem" não resiste a sossobrar aos seus desígnios de "macho", de "animal-macho" ...
Isso, sobrepõe-se a tudo ...
Ao razoável, ao aconselhável, ao "direito", ao correcto, ao justo, ao certo, ao honesto, e se calhar ao coerente e digno ( e ficaria aqui a enumerar razões, que não esgotaria ... )
É um impulso, uma "pulsão sexual" irresistível, uma necessidade de afirmação de virilidade, talvez uma insegurança, que de quando em vez o assalta e tem que ser reforçada, para o equilibrar e tranquilizar ... Sei lá !!!
Sei, é que se lhe impõe uma estranha necessidade de desligar uma "cabeça" !...
É característica de género, só pode. Não tenho dúvidas !...
No domínio dos humanos, com a carga moralista que sobre nós se abate, obviamente essa questão é imediatamente rotulada de infidelidade, de depravação, de safadeza, de mau-caracterismo !...
Eu tenho um amigo, que diz que o Homem é intrinsecamente polígamo, e que é "contra-natura" ter uma só mulher. Por essa razão nunca casou . Teve e tem relações mais ou menos longas, ao sabor do seu bem-estar, e pronto ! Salta "de galho em galho", até que "o tigre que existe nele", sossegue, como diz, a sorrir !!!
Esse, ao menos é coerente, ou frontal, ou realista ...
A maioria tenta camuflar.
Sabe que essa postura é fortemente refreada de facto, pela moral judaico-cristã vigente e ainda não liberalizada, que nos espartilha, apesar da abertura cada vez maior da sociedade, e da "tolerância" progressiva da mesma, aos costumes ( que deita diariamente abaixo "tabus" e inibições ).
Como tal, hipócrita e cinicamente, tenta dar uma de "bom menino", "enquadrado" e " inocente" ... e depois ... engana-se nos "sms" ... ou deixa "rabos de fora", encontrados sem grande esforço pelos mais atentos !!!... ( rsrsrs )
Noutras civilizações, noutros povos norteados por outras determinações morais e religiosas, esta questão fica diluída ; não é sequer considerada.
A poligamia pode ser aceite como normal.
É normal o sultão ter várias mulheres nos haréns. As tribos índias, os aborígenes e outras etnias, vivem com partilha "pacífica" de fêmeas.
Muitas civilizações orientais e africanas, alicerçam-se em células poligâmicas, também.
Os muçulmanos permitem-no. Os budistas, não sendo uma religião, mas uma filosofia de vida, aceitaram a poligamia, bem como o hinduísmo e o judaísmo conviveram com ela, enquanto que o mormonismo a pratica.
Entendo como prova de que a componente genética é determinante, o que se observa com toda a clareza no reino animal.
Sabemos que quase todas as espécies, se configuram em células encabeçadas pelos machos dominantes, os machos-alfa, que têm o privilégio de escolherem e congregarem à sua volta, um sem número de fêmeas, garantes da sobrevivência e continuidade da espécie, simplesmente.
Obviamente que no reino dos ditos irracionais, não há regras religiosas ou morais, condicionantes ou castradoras das posturas de vida e convivência.
Consequentemente, o que impera e determina, são portanto exclusivamente as características naturais, genéticas, "selvagens", na verdadeira pureza do termo.
E imagino ( ainda a sorrir ), no início deste meu texto, os homens que me lerem, a "torcerem-se", eles sim com um sorriso amarelo, e a dizerem :
"Como se, e em particular na actualidade, a Mulher não fosse tanto ou mais predadora que o Homem, e como se a "ética" feminina neste momento, chamemos-lhe assim, não fosse exactamente igual " ?!...
Contudo, refuto parcialmente esta análise, visto que continuamos a viver numa sociedade ainda claramente machista, e a conduta prevalecente, é, como sabemos, a de permissividade em relação à prática masculina.
Por isso acredito que, estatisticamente por aqui, tal como na savana africana, continuamos a ter o "leão dominante", a escolher o naipe feminino em que reinará !...
Lá, como cá !...
E tudo isto adveio afinal, do equívoco de alguém, hoje pelas oito da matina ... ou da "irremediável" condenação à infidelidade do "macho", coitado !!!...
Anamar
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
" ACABA POR SER DE PRAXE "
Tão simplesmente porque é mais uma das tais datas do calendário, "metida a calçadeira" ( como diria o Carlos ), pelo Homem ( e que por isso mesmo, enjeito ), mas também porque não tenho nenhum motivo especial para festejar alguma coisa que está em vias de extinção, afinal ... o AMOR !
O amor que deveria ser natural, espontâneo, sentido, íntimo, simplesmente vivido sempre ... e não lembrado apenas hoje, "porque sim" ...
O amor que se prestigia neste 14 de Fevereiro, é uma "fatia" particular desse sentimento muito mais universal e abrangente, o amor entre os seres humanos ( que não existe ), o amor do Homem para com os seres das outras espécies ( que não existe ), o amor do Homem pela Natureza ( que não existe ), o amor do Homem pelo Planeta que habita, a sua casa, o seu ar e o seu chão ( que não existe ) ...
Hoje celebra-se o amor entre os géneros ... o amor homem - mulher, o amor entre casais, indistintamente ligados por qualquer laço.
Hoje vive-se, ou apela-se a viver-se o amor carnal, o amor dos sentimentos, o amor das cumplicidades, dos pequenos segredos, dos inconfessáveis mistérios ...
Hoje, doura-se a "pílula", compram-se as rosas vermelhas, programa-se ( cada vez menos, por razões óbvias ), um evento especial, alinda-se uma mesa com uma que outra vela, tudo muito vermelho, simbolizando uma paixão acesa, que por vezes nem pálida está, e finge-se ... muitas vezes também só se finge que se está feliz, enormemente feliz, exuberantemente feliz, irremediavelmente feliz !...
Daqui a uma semana as rosas já murcharam, e já estão sobre o "cadáver", como as montureiras das flores secas, dispensáveis e maçantes, sobre as campas, por alturas da missa de sétimo dia ...
O chamado "lixo", também sobre os afectos !...
Estou particularmente azeda ... Nada de novo, certo ?? Nada a que vocês não estejam já habituados ...
E já oiço vozes erguerem-se : " Irra, que esta fulana é intragável !... Puxa, que osso duro de roer "!...
Pois é ... esqueci o que é o "encanto" possível da Vida !
Esqueci como é ser agradavelmente vivente, por aqui ! Esqueci e desinteressei-me um pouco ...
O meu GPS avariou, e portanto estou há muito perdida no emaranhado dos destinos a trilhar ...
Mas isso agora não interessa nada !...
Ontem deram-me o endereço de um site da Net, que cada vez mais me fez repensar os valores que realmente norteiam o ser humano, cada vez mais me mostra como tudo é plastificado nos dias que correm, cada vez mais me fez reflectir, como o ser humano está cada vez menos humano, mais robotizado, mais artificializado, menos "gente" ...
É um site criado, creio, por psicólogos, e que funciona como uma espécie de agência matrimonial dos tempos modernos.
Uma espécie de "rede social", com encadernação de luxo !
Alegando-se que nos tempos que correm, as exigências profissionais e a vida corrida das pessoas, lhes indisponibiliza crescentemente a possibilidade de encontros, de conhecimentos e ainda mais de acertos nesses conhecimentos ... alegando-se que a praticidade da coisa e o facilitismo da mesma, seriam uma grande ajuda ( porque tempo também é dinheiro ) ... alegando-se que em milhares de perfis com que nos cruzamos, a estatística de sucesso é mínima, obviar-se-ia a tudo isso, criando uma espécie de base de dados com perfis psicológicos, que trabalhados, permitiriam descobrir compatibilidades entre indivíduos com fortes possibilidades de acerto, como par afectivo.
Muito interessante ! ...
Perfis psicológicos masculinos de um lado, feminimos de outros, e o computador a fazer o resto ...
Pessoas, cuja probabilidade de alguma vez se encontrarem, sequer se conhecerem nesta vida maluca, seria nula, ali, bem à mão, ou bem ao pé ... à distância de um "clique" do rato !...
Portanto, consultada esta lista telefónica informática, estas páginas amarelas de um hipotético "amor programado", não se perde tempo, desencanta-se o príncipe ou a princesa encantados, num piscar de olhos, como um coelho a sair de uma cartola !!!
Como se vê, tudo bem "cool", bem "clean", bem de acordo com os tempos de hoje, em que não há tempo, para se ter tempo, nem para amar !...
Por tudo isto, o S. Valentim coitado, nem ele sabe nem sonha, como tem os dias contados !
Ele, e todo o "circo" à volta do seu "halo" mágico, de fazer reviver pelo menos anualmente, esse tal de AMOR com contornos cada vez mais "demodés", cada vez mais descartável, cada vez mais desvalorizado e esquecido, e que afinal se tem muito mais à mão de semear, do que seria imaginável ... e desejável ( digo eu ) !!!...
Anamar
sábado, 3 de novembro de 2012
" O EMBALO DE IEMANJÁ "
"Amarantine"...... lança Énya aos meus ouvidos ... "love, is love, is love !"...
Por que será que me apetece falar em falsidade ??
A falsidade, um dos sentimentos mais preversos e mesquinhos do ser humano, penso.
A falsidade pressupõe disparidade, entre quem ela se estabelece.
Pressupõe que alguém mente, e por isso é falso, e que alguém é enganado, porque não teve capacidade para se defender dessa mentira.
E normalmente essa incapacidade defensiva, resulta da boa-fé, do acreditar, da ingenuidade, até muitas vezes, do amor que une as partes envolvidas, ou melhor, que liga uma das partes envolvidas à outra, obviamente ... apenas.
A falsidade é uma constante da Vida, infelizmente.
O ser humano é ignóbil e monstruoso muitas vezes, e também muitas vezes em seu benefício, sem se dar conta dos "estragos" que causa !
É uma postura comodista sem dúvida, muitas vezes estudada, trabalhada, calculada, o que a torna mais maquiavélica, o que lhe confere um diabolismo desumano !
Usa-se falsidade em relações pessoais, profissionais, sociais, políticas, afectivas ...
Eu diria parecer ser afinal, um "motor de mobilidade" na vida humana, o que é de facto, triste, muito triste !...
Sobre a falsidade nas relações afectivas, já fiz sobejas abordagens por aqui, desde os primórdios deste meu espaço.
Mas, porque é algo que me mexe, me incomoda e me confunde, sou por vezes levada a insistir, por ser um tema que, para a forma como me posiciono na vida, se me impõe, até porque infelizmente, com ele "topo" em recorrência, não o entendo, não o acho necessário em nenhuma circunstância, nem o aceito.
A falsidade neste domínio chama-se "traição". E pessoas que atraiçoam, não merecem sequer experimentar a confiança, o amor e a dedicação de quem traem.
A traição é um punhal que se enterra nas costas de alguém, quando esse alguém está exactamente "de costas", sem nenhuma capacidade defensiva.
É portanto um acto de cobardia pura.
É postura de quem não tem frontalidade, coragem, verticalidade, de quem não se pauta por transparência, verdade e lisura.
Trai-se gratuitamente, e para nada ... Apenas se acarretam dividendos nojentos, para quem trai, e dor, mágoa e inferno, para a alma de quem é traído !
Penso que é das maiores, e mais destrutivas afrontas que um ser humano pode infligir a outro !
Para trair, um lobo veste a pele de cordeiro, uma meretriz veste a pele de donzela, um vilão mascara-se de "bom rapaz " ...
É uma técnica perfeita de dissimulação e camuflagem ; lembra a serpente que no deserto espera a presa, de tocaia, aguardando apenas a hora de "dar o bote" ; ou então, quando a atrai, por técnicas de sedução e mentira. Quando se dá conta, o veneno mortal já foi inoculado, e nada mais há a fazer ...
Lembra a aranha, cuja teia é um "véu de noiva" que cintila ao sol, diáfano e prometedor, e onde imóvel e silenciosamente espera, que o próximo insecto enrede nela se enrede ...
A traição começa quase sempre por um método de sedução, um processo de maquilhagem ... É uma forma perfeita de "travestismo".
Assenta na confiança adquirida, no envolvimento que se estabelece, no canto da sereia que embevece os ouvidos do pescador, em alto mar, no embalo de Iemanjá, nos corações que arrasta com ela, para as profundezas dos oceanos ...
E depois, não serve rigorosamente para nada ...
É um caminho ínvio e dolorido, que só beneficia, acredito, mentes doentes e perturbadas, que nem conseguem ter a percepção, da destruição que provocam no seu semelhante ...
E assim se dilaceram corações, e assim se "matam" pessoas, e assim se aniquilam, muitas vezes irreversivel e cobardemente, seres mais fracos, menos ardilosos, menos defendidos ... seres que enjeitam estas formas de vivência com o seu semelhante, seja em que vertente for, sendo que, muito mais magoada, se o for na vertente emocional, que é dos principais, senão o principal pilar de sustentação do ser humano !...
Anamar
segunda-feira, 13 de junho de 2011
"OH VIDINHA !!!...."
Parece viver mais facilmente em situações conflituais do que em aparente acalmia. Contra mim falo, sobretudo contra mim falo!...
De facto, eu tenho uma remota tendência a não me movimentar muito bem naquilo que me é oferecido em "bandeja de prata", comparativamente ao que tem custos penalizantes para mim.
Parece que as coisas que me têm sabor, devem vir envoltas em sangue, suor e lágrimas...e mais, é tudo aquilo que não me vale a pena, que me vale a pena!...
Oh pobreza!!! Que gosto eu tenho em "avacalhar" a minha vida tantas e tantas vezes, sem lhe dar pelo menos de quando em quando, uma lufadazinha de ar fresco para que ela respire...sem a deixar "tirar o ar" até ao fundo!!!
À conta disto, e duma forma negligente, quantas e quantas vezes deixo passar o "comboio" da vida, sem que o tome na estação adequada.
Mas ainda há pouco eu lia uma crónica do meu jornal de sábado, que sempre compro (sobretudo para ler os artigos desassombrados de uma jornalista colaboradora do mesmo) e em que ela referia exactamente isso.
O ser humano deprecia o bom e privilegia o menos bom, quiçá o medíocre, nesta falta de pragmatismo que aliás é a "minha cara".
Eu sou assim...e depois choro as "pitangas"...sempre choro sobre o leite derramado!!!
E nunca aprendo, raramente aprendo...essa, a parte pior da coisa, mostrando-me ser uma aluna relapsa, a quem pouco falta acontecer, para perceber que talvez não devesse ter ido "por ali"!!...
Na vida, como na circulação do dia a dia....De facto, eu sou um espanto!
Quando ao volante do carro, seguindo num percurso que não domino, me surgem hipóteses alternativas de itinerário pela frente...é certo e sabido que sempre escolho o errado....e costumo dizer a brincar, que o remédio p'ra esta falta de "pontaria", seria sempre contrariar o palpite "bichanado" ao meu ouvido, por vozes das profundezas!!!! Eheheh
Se é pela esquerda que estou tentada a ir.....JAMAIS....o certo mesmo é seguir pela direita...porque a esquerda certamente não me conduzirá a bom porto!
Não sei se este tipo "anómalo" de característica é tão generalizado quanto estou a tentar passar, ou se sou apenas uma "avis rara" na coisa, embora eu conheça uma mão cheia de pessoas com esta postura.
Deverá ser, isso sim, apanágio de gente confusa e indefinida, indecisa das suas vontades, céptica nos seus creres, com pavor de errar (errando já....).
Em suma....realmente gente complicada que nem eu!!!....
Vá lá ter uma pontaria assim "nos quintos dos Infernos" !!!!....
Anamar
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O "ALTER-EGO"
Revi ontem um clássico da sétima arte: "Instinto fatal", com Michael Douglas e Sharon Stone.
Qual é o homem que não lembra o "célebre" cruzar de pernas da bela Sharon, o que aliás renomou o filme, não tanto pelo conteúdo?!...
"Tá bem"...aceito! A trama também não está mal urdida!...
No fundo trata-se de um thriller "requintado". Mas não foi essa a razão por que me tocou a campainha do sótão...
Sharon enquadra uma figura polémica, enigmática, com uma personalidade dúbia que tem o poder de baralhar, trapacear, pôr a cabeça à roda...
Ela é e não é...ela parece, mas talvez não seja, ela é um dois em um, encarnando um "alter-ego", que é a pedra de toque no filme, e prendendo os espectadores até ao fim, para que descodifiquem (se forem capazes), quem matou quem, e porquê...
Qual "Belle de Jour" - Catherine - Sharon - alicia os amantes, não se permite ter para com eles nenhum outro sentimento que não seja o físico e o carnal, e com uma frieza e um distanciamento premeditados, numa patologia obsessiva-compulsiva e quase delirante, elimina-os em crimes hediondos...
Ou talvez não...
essa, a duplicidade explorada no filme, no jogo de esconde-esconde feito pelo realizador sobre os espectadores.
Foi Catherine quem cometeu os crimes, foi Roxy, foi Lisa??... Quem, afinal??
É o de menos!!...
Pensei de imediato numa outra película que vi há tempos atrás, nos écrans da capital, com Jodie Foster como protagonista, a qual mereceu a minha análise que deixei registada num post escrito então. Chamava-se ele "A estranha em mim"
Jodie Foster representava sumariamente a figura de uma radialista, com uma vida de inteira normalidade, a qual é sujeita a uma situação traumatizante extrema, que lhe desvia a existência de cento e oitenta graus.
Absoluta e definitivamente marcada, assume posturas em consequência, que ela própria não reconhece.
Quando lhe é perguntado "como se sai de uma situação tão traumatizante", quanto a por si experienciada, ela responde amargamente : "Não se sai!..."
E quando lhe perguntam como é viver depois de tudo, ela responde que não se vive..."sobrevive-se"!!...
As abordagens que fiz, têm em comum, o desencadear por razões patológicas ou situações de traumatismo físico ou psicológico, de um outro "eu" que provavelmente existirá dentro de cada um de nós, devidamente acorrentado , espartilhado, enquadrado por fronteiras ou comportas.
Uma vez desencadeada a manifestação desse "alter-ego", o indivíduo em causa poderá assumir comportamentos, atitudes, personalidades, posturas, até provavelmente irreversíveis e irreconhecíveis...
Talvez seja por algo deste tipo, que a sabedoria popular diz: "Ninguém diga: desta água não beberei!"...
Eu defendo, e já o disse em círculos próximos, que qualquer pessoa será capaz de qualquer coisa ; tudo depende das circunstâncias, dos antecedentes, do contexto, da vivência por que passou, da "tempestade" a que foi sujeita, em suma, do traumatismo que experimentou ou que lhe infligiram!
Daí em diante esse indivíduo, afinal esse "outro" indivíduo, terá respostas sociais, familiares, profissionais, ininteligíveis ou inesperadas até, numa duplicidade personalística, por todo o conflito interior que o afrontou.
A sua vida não é mais vida, é sobrevida;
Esse indivíduo não se permite restabelecer conexões de emoções ou afectos, por medos, necessidade de defesa ou sobrevivência!
Penso que essa "dupla personalidade" adquirida ou mesmo a assumpção de uma "outra" personalidade, uma vez estabelecida, não serão princípios morais (?), sociais ou outros, que a conseguirão impedir de se manifestar.
Não sou psicóloga, não tenho formação nessa área.
Falo por sensações/percepções. Falo por análise. Falo por conclusão.
Provavelmente sou inconsequente e assustadoramente atrevida!...
Desafio-vos para que opinem....
Se estiver errada, que mo digam. Ficaria grata!!...
Anamar
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
"CHEGA UM MOMENTO..."
Encontrei, a seguinte frase, acho que escrita num e-mail que a Conceição me enviou, e se efectivamente assim foi, data do início de Julho do passado ano:
"Chega um momento na tua vida em que efectivas quem é importante para ti, quem nunca o foi, quem não é mais e quem o será para sempre"
A Conceição, colegas que o fomos profissionalmente tantos e tantos anos, dias divididos, noites divididas, e que foi necessário afastar-me da Escola talvez, para lhe conhecer a real sensibilidade, mercê, hoje sei-o bem, da sua natural timidez e humildade...apanágio das pessoas realmente superiores!
De facto a vida de todos nós, pretende-se que seja de um crescimento e de uma maturação em que forçosamente, mais cedo ou mais tarde, separaremos "o trigo do joio", o valor relativo das personagens das nossas existências.
Há amigos ou conhecidos de infância, que juraríamos poder colocar no rol daqueles que sempre nos iriam ser indispensáveis, e que afinal perdemos pelo caminho...e há personagens determinantes, inexpugnáveis como as muralhas dos mais altos castelos, rijas e inquebráveis como o aço, em que curiosamente só "tropeçámos", quando a adultícia ou o Outono já começam a tomar conta das nossas vidas...e se calhar exactamente por isso.
Com maior rigor, maior nível de exigência, com critérios provavelmente mais apertados, com menos "rosa" na cabeça, mais clarividência, menos sonhos ou castelos de cartas...a ingenuidade obrigatoriamente mais perdida pelos atropelos dos anos...levam-nos a seriar, a excluir, a optar...a decidir...
E aí deverão ficar até ao fim dos nossos dias, os que passarem no crivo desta peneira de afectos, porque esses serão certamente os que valeram a pena, os merecedores...
Mas deveremos fazer um esforço para que outra forma de análise, encapotada pelas emoções e afectos, não nos tire a clarividência necessária à isenção nas escolhas, para que saibamos distinguir o "lobo mau" na pele do "capuchinho vermelho"...para que, nas encruzilhadas de um caminho quantas e quantas vezes difícil de trilhar, tenhamos ao nosso lado, aqueles, que se for necessário nos estenderão sempre uma mão de ajuda, ou nos matarão a sede quando a canícula nos asfixia...
Serão esses que nos darão o privilégio de serem nossos companheiros de jornada, nossos partilhadores de agruras, nossa sombra abençoada quando o sol tisna, nosso ombro e nosso bordão...
Penso que, mais cedo ou mais tarde, esse momento de escolha chegará para todos nós...e a real importância de cada um para nós próprios, será, como a douta frase diz, na verdade, EFECTIVADA!!...
Anamar
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
"UMA NOVA VISÃO SOBRE AQUELA MATA...."
Sobre Sintra o céu estava tão negro, que sugeria aquelas reportagens do National Geographic sobre tufões ou furacões.
Pensei: "quando começar a chover, desaba uma torrente diluviana lá de "cima".
Ainda não tinha feito a minha caminhada diária e agora hesitava seriamente se sim ou não me faria ao caminho.
Tinha a meu favor as calças de caminhada supostamente impermeáveis, o "chuvasqueiro", que como o nome indica, é um corta-vento, corta-chuva...corta qualquer coisa (pelo menos comprei-o como tal), e como ainda não chovia e eu precisava mesmo partilhar-me com a Natureza, com o isolamento, com os meus pensamentos, resolvi meter-me ao caminho...
A poucos metros de casa e alguns pingos de uma chuva não forte, mas contínua, já se faziam sentir.
Eram talvez três e meia, e a luminosidade do dia levava-nos a crer estarmos já próximos da noite.
Pensei: "como será atravessar aquele bosque que certamente estará deserto, com esta chuva ininterrupta, este silêncio profundo, com o cerrado das árvores e arbustos a tornar ainda mais misteriosas todas aquelas veredas?..."
A chuva era copiosa e sentia as calças a gelarem-me as pernas, o corta-chuva muito frio, embora estivesse crente que ele não estaria a deixar passar a água para dentro.
Do capuz escorria-me água para o rosto, e quentes, mesmo, só tinha os pés.
O bosque estava efectivamente deserto e silencioso. Não vi vivalma, não cruzei ninguém, e até a passarada habitual, devia ter-se protegido na folhagem.
Na ausência de sol, as flores estavam fechadas, as azedas amarelinhas que atapetam o chão haviam cerrado as suas campânulas.
Apenas das mimosas, agora a florescer, pingava água de cada cacho.
Com mais um pouco de sol e calor, e tê-las-emos transformadas numa explosão de ouro e aroma intenso, naquela mata.
Foi estranho, foi diferente, foi de uma solidão absoluta aquele caminho.
Apenas a chuva fria desabava sobre tudo.
Mas gostei...não me arrependo de ter ido. É na realidade uma terapêutica para a alma, a partilha com a Natureza, esteja chuva ou esteja sol, é um multivitamínico tomado como curativo das mazelas do coração!...
Só teve um senão, a minha caminhada de hoje...É que ao chegar a casa e tirar a roupa, constatei que de impermeável, nada daqueles trajes tinham, o que significa que desde o cabelo até à roupa interior não era frio que eu sentia...era mesmo a roupa a deixar-se passar pela chuva!...
Assim sendo, não sei se poderei reincidir...
Anamar