Acabei de publicar um post que fora escrito há já alguns razoáveis dias.
Esqueci simplesmente de o publicar ... Estarei a ficar senil ?? Vá-se lá saber ...😀
O tema abordado nesse post tem muito a ver com o que aqui vou tentar hoje abordar, dispondo entretanto de outros dados, de novas informações que certamente enriquecerão o conteúdo que vou tentar analisar neste meu escrito de hoje.
Não gosto de política. É um assunto que me entedia, me cansa e sobretudo me enoja quase sempre.
Contudo, todo o Homem é um animal político e todos os seus actos são obviamente políticos.
Nasci em pleno fascismo, numa sociedade cinzenta e opaca, num regime ditatorial, em que só os audazes se atreviam e onde era melhor não metermos "o bedelho", para nossa tranquilidade.
Em minha casa não se abordava o tema, não se questionavam os acontecimentos que quer internamente quer no mundo que nos rodeava, iam acontecendo.
O meu pai comprava o jornal diário, mas nem eu nem a minha mãe tínhamos apetite ou curiosidade para o ler. Eu estudava mas de certo modo vivia numa bolha proteccionista, onde o silêncio sobre o que se desenrolava no mundo e no país em particular, era a postura mais avisada para nos proteger de dissabores.
Havia a PIDE, toda uma máquina repressiva bem montada, havia a guerra do Ultramar, os presos políticos, as deserções na fuga à mobilização dos jovens face à guerra colonial ... havia um país onde a pobreza e o conveniente analfabetismo "encarneiravam" ao silêncio, a generalidade da população de menos recursos, que dessa forma era mais facilmente controlada.
Aliás, sempre a ignorância e a desinformação, eram / são armas de tranquilidade para quem regia os destinos deste país. Alguma contestação que se verificasse, facilmente era controlada e desincentivada.
Mas, claro, cresci, fiz-me mulher, estudei, criei uma família sobre a qual tinha obviamente responsabilidades inerentes, aprendi a ler a realidade que me cercava e comecei a perceber o avesso do direito que me mostravam. Comecei a pensar pela minha cabeça, comecei a separar o trigo do joio, a observar com muita e cuidada atenção, o que era terreno firme e o que era chão movediço debaixo dos pés.
Aprendi a analisar, a escalpelizar a realidade no país em que vivia e no mundo que me cercava, deitei fora muita da ingenuidade com que até então olhava os acontecimentos e trabalhei juízos de valor sobre a teia social e política que se desenrolava ao meu redor.
As novas tecnologias que entretanto se foram desenvolvendo, permitiram que a cultura e a comunicação disponibilizada se tornassem mais acessíveis e me fornecessem armas para tomadas de consciência menos erráticas, mais críticas e mais assertivas sobre a realidade.
Este é um resumo nada exaustivo sobre a pessoa em que me tornei, no normal processo de vida, até aos dias de hoje.
Sinto-me contudo sempre uma ignorante na percepção e entendimento das teias inóspitas que norteiam e ditam os posicionamentos do ponto de vista social e político quer interna, quer externamente, das personagens que se mexem sempre com muito à-vontade, no palco e nos esconsos dos destinos sócio-políticos.
As pontas soltas das decisões, baralham ainda mais o nosso espírito, quando percebemos que sempre são tudo menos inocentes e constatamos a ausência de escrúpulos na escolha dos caminhos.
É essa faceta de mentira, manipulação e desonestidade que me assusta à medida que cresce gradualmente a qualquer custo, e por cima de pessoas e valores, na busca desenfreada de interesses ínvios e finalidades óbvias.
Parece que já não há em quem confiar, a desonestidade mostra sempre lobos com pele de cordeiros, e quase nunca nada é o que realmente parece, numa sociedade cada vez mais enferma de falta de valores de verticalidade, honestidade, transparência e seriedade.
Bom, neste momento em Portugal, estamos em meio de uma eleição para escolha do Presidente da República. Digo em meio, já que houve que recorrer a uma segunda volta, para a decisão final.
Os candidatos respeitam a quadrantes políticos bem distintos, sendo um de convicções centro-esquerda socialistas e o outro de facção ultra-direita nacionalista.
Conclui-se que o primeiro é um indivíduo moderado, com um passado político equilibrado e sério e o segundo um banha da cobra, tendencioso, da direita radical, populista e inerentemente desonesto.
Um indivíduo perigoso, sem escrúpulos, fomentador do fascismo, que incentiva ao ódio racial e perseguidor dos imigrantes, tem o dom da palavra e sopra aos ouvidos dos incautos aquilo que eles querem ouvir, com a sua maviosa mensagem de salvador da pátria.
Para mim, não tem dúvida, trata-se duma disputa entre a ditadura e a democracia, uma disputa entre o equilíbrio e uma demagogia violenta que usa dos truques mais sórdidos para convencer as correntes mais desinformadas, explorando a fragilidade de pessoas na maioria pertencentes às franjas sociais mais desfavorecidas, logo mais expostas, mais susceptíveis, mais crédulas e mais desprotegidas, com menos capacidade de defesa e mais facilmente emaranháveis nas teias do oportunismo e da desonestidade.
Convém que a História não seja esquecida, já que o ser humano prima muitas vezes por ter memória curta.
E que tal como digo no título, saibamos arrancar atempadamente a pele aos lobos, por forma a desmascará-los, não esquecendo que, Historicamente falando, o pior que o Homem pode fazer, está escrito em tudo o que ele já fez !
Saibamos ler os sinais !...
Anamar

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