quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

" O BOM SAMARITANO "

 

                                 SIMBA

Os gatos da mata têm um anjo da guarda protector dos seus destinos!  
O senhor Sérgio, é o "bombeiro", o socorrista, o colo, o amigo, o amparo, o malabarista na busca de soluções, o milagreiro na resolução das dificuldades ... o que está ali para eles, o que lhes dispensa o seu tempo duma forma incondicional, numa disponibilidade quase total, de manhã e ao fim do dia, numa amizade, entrega e dedicação únicas ...
O senhor Sérgio miscigena-se com eles ... é quase um patudo também !

Frequento a mata nas caminhadas semanais há pra mais de dez anos.
Existe naquele espaço uma espécie de santuário de gatos desvalidos há mais tempo do que aquele em que os percebi na sua "aldeia".  Não sei como começou, sei que existe e que infelizmente cresceu por força da maldade do ser humano que abandona, renega e larga inescrupulosamente ao seu destino, aqueles que foram companheiros das suas vidas.
Chego a invejá-los nos Verões quentes e doces, nos tempos do céu azul e dos espreguiçamentos ao sol. 
São mansos, meigos, quase sempre sociáveis com quem passa, quase sempre meigos com quem lhes leva mimos, aceitando carinhos, sempre com a cauda no ar em jeito de satisfação.
Há-os de todas as cores, há-os de todos os géneros, há os que já lá nasceram e os que lá foram deixar ...
Nos Invernos, com os rigores insensíveis das chuvas copiosas, do frio às vezes gélido e dos ventos assustadores, ou até das trovoadas ameaçadoras, a dureza pesa, pois tal como ao ser humano, não basta a comida assegurada e a água disponibilizada pelo ribeiro que então corre cheio e perigoso, para que a vida lhes corra mansa.
Aí entra o senhor Sérgio que de tudo faz para lhes aligeirar a cruz.
Além da garantia do alimento, proporcionou-lhes abrigos, inicialmente inventados a partir dos recursos de que dispunha, depois a sua dedicação conseguiu mobilizar corações, e casinhas impermeáveis começaram a "desenhar" a "aldeia" que agora habitam !
Com mantinhas quentes nos seus interiores, conseguiu minimizar as condições adversas do exterior, e, se quentes não estiverem verdadeiramente, pelo menos não estão expostos directamente à intempérie.
De manhã e ao fim da tarde ouve-se o assobio que lhes lança anunciando a sua chegada.  No Verão, perto da hora que eles identificam pelo relógio dos corações, espalham-se ali pelo caminho, no meio da erva, e aguardam.  
O Sr. Sérgio não falha.  Não tem dia que não possa, não tem doença que o impeça, não tem preguiça que o limite.  Com chuva ou com sol, ele sabe que os seus amigos o esperam.
Se algum mostra não estar bem, o Sr. Sérgio faz de João Semana e administra-lhes alguns medicamentos necessários às feridas, às maleitas, às infeções se vierem a ocorrer.  Se a situação agrava, busca ajuda e recorre a quem de direito.
O senhor Sérgio vive do seu trabalho, creio.  Não tem recursos especiais.  Mas tem um coração do tamanho do mundo.  Ele sabe que tem "gente" à espera ...
Ele sabe que lá estarão o Simba, a Bernardete, o Menino, o Gorila, a Maluca, a Pipoca, a Pequenota e outros cujo nome não me ocorre ... mas que ele sabe de cor.
Fala com eles, sofre com eles, partilha-se com eles ...

Um destes dias, quando vier o tempo quente e a mata nos acolha com amabilidade, hei-de pedir-lhe que me conte a verdadeira história da "terra dos gatos" ... como eles semearam no seu coração uma semente que frutificou para toda a vida !...

Anamar

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