Depois de velha consegui um milagre na minha vida : apaixonar-me pela VIDA...
Coisa aparentemente impensável no meu caso, reincidente que sou em desgraça, militante que sou no negativismo, aficionada mais ainda por uma boa "auto-novela" melodramática...
Pois hoje, não sei se por este Verão presenteado, não sei se porque a "viagem", mais uma dentro da "viagem", está por aí mesmo, dou por mim a sorrir, mais por dentro que por fora, é certo (não fossem chamar-me "maluquete"), mas ainda assim me aflora aos lábios um ténue sorriso que acho não ser "amarelo"...
É certo que de hoje a um mês já terei ido, já terei vindo ou melhor, devo estar a "voar" aqui por cima a esta hora; mas a minha bagagem humana, o meu recheio do coração deve vir seguramente mais enriquecido, mais recheado, eu serei uma pessoa mais e mais afortunada, seguramente...
Os locais, as pessoas, outros céus e outros mares, outros verdes e o amarelo de um outro sol, terão dado mais uma risca ao meu arco-íris, por certo!
Realmente, por cada dia em que acordo respirando, e apesar de claudicar muitas e muitas vezes, em que à minha revelia o pensamento voa p'ra longe e o olhar o mostra, traindo-me...concluo que de facto a minha existência é uma bênção que me é presenteada pelo tal "Arquitecto", que tão bem arquitectou tudo isto.
Todos os dias há cada vez mais um valer a pena espreitar esse mesmo dia, exaurindo-me, exaurindo-o até à exaustão.
As pessoas, todas, as boas e as más, diferentes umas das outras, sempre acrescentam, nunca diminuem o nosso enriquecimento pessoal, o nosso estar, a nossa dimensão interior!
Nos anos que levo de VIDA...e nessa matéria acredito ainda não ter atingido a adolescência (não quero esclarecer mais por que o digo), angariei e estou rodeada de facto, por uma caixinha de Pandora, qual arquinha de brinquedos, de afectos, sonhos, também mágoas, também dores, esperanças e desejos...
Dela, ao abrir a tampa, saltam o polichinelo, o cavalinho de baloiço, a pipi das meias altas, o sapo Cocas e o monstro das bolachas...
Sempre me desafiam para a dança de roda, sempre me querem levar para o País das Fadas, para o País das Maravilhas, por onde ainda anda a Alice, com a Princesa da Ervilha tão delicada, a queixar-se da ervilha a molestá-la, por debaixo do colchão!!
O Gepeto e o Pinóquio, a Cruela e os seus 101 cachorrinhos também vêm para esta orgia, que sempre termina numa bebedeira de vida, no país do sonho, em que de menina-mulher, me torno apenas menina...
E poderá haver melhor nesta Vida, que ser apenas menina??!!...
Anamar