Será um blogue escrito com a aleatoriedade da aleatoriedade das emoções de cada momento... É de mim, para todos, mas também para ninguém... É feito de amor, com o amor que nutro pela escrita...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012
" UM DIA, VOLTA !... "
Lembras aquele acordar de madrugada, ainda a luz se coava pela vidraça ?
Quando o frio da noite que começava a findar, trazia de longe os rumores de sonhos antigos ?!
Era quase Inverno, mas contigo acendeu-se a Primavera no meu quarto ...
As roseiras começaram a florir,
e os pingos de chuva ao tombarem lá fora, faziam-se cordões dourados, que desciam pela nudez do meu corpo.
Havia uma lareira acesa na memória,
Havia a cor do fogo espalhada por ali,
e havia um frémito doído que passava, por se saber apenas inventado ...
As tuas mãos, regatos a desvendar caminhos, corriam incessantes, da nascente à foz ... Lá, onde as águas se misturam com o sal que tempera a minha pele ...
Os teus braços, raízes que prendem as árvores na terra, tinham a força indomável que liga o carvalho ao solo, ainda que o vento açoite forte ... mas também a ternura da sombra generosa do choupo, que nunca ofusca o sol por inteiro ...
Contigo fui gaivota, de penhasco em penhasco ...
pardal que saltita de poça em poça ...
Fui águia altaneira das montanhas, que dos picos, domina o Mundo ...
Só que naquela hora, o meu mundo eras tu, éramos apenas nós naquela cama desfeita, aquela chuva lá fora, e a força que então, eu tinha no meu peito ...
O meu sonho ninguém aprisiona, porque é metade de mim,
e a outra metade, é o meu crer, que não conhece grades, nem grilhetas,
nem fronteiras, nem fantasmas,
nem deuses, nem destinos,
nem máscaras, nem medos ...
O meu crer, é o calor-ninho de um sol imaginado
É a luz que se acende no céu em noites de lua cheia ...
que o farol verte na escuridão, do mar infinito ...
É a pincelada de cor com que a chuva e o sol acordam o arco-íris, em dias escuros, mascarados de Verão ...
Volta ...
Volta outra vez, trazendo contigo as braçadas das flores que me colheres ...
E nos olhos, as estrelas que conseguires apanhar do firmamento ...
... porque haverá outras madrugadas, em que a luz só se coará ainda, pela vidraça ...
e me tomes nos teus braços, para me dizeres baixinho ... "Como eu te amo " !!!...
Anamar
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